Notícia mais doida, símbolo de ações sociais vai para o túmulo da Rut Cardoso…

Símbolo de ações sociais é colocado dentro de túmulo de Ruth Cardoso, diz MARCELO GUTIERRES, Folha Online. A Boneca Esperança foi junto ao caixão, no cemitério da Consolação. Feita na minha Paraíba, a boneca dizia, ”sou uma boneca artesanal, de pano, trapos, fios, linhas, fitas, rendas e muitos enfeites. Costurada ponto a ponto, uma parte de cada vez. Sou loira, morena, ruiva, como a gente do meu país. Pequena alta, gorda ou magra”.

Não seria mais adequado a Boneca Esperança, assim como as ações sociais, terem continuado fora do túmulo? Existe túmulo para ações sociais? Além do mais, Esperança é boneca?

Agora sabemos, o papa não veste Prada, contudo algo mais denunciador: chapéu de Saturno para encobrir o Sol…

Papa não veste Prada, diz jornal do Vaticano
Qui, 26 Jun, 03h30

ROMA (Reuters) - Após anos de especulações de que o papa Bento 16 usava sapatos da grife Prada, o jornal oficial do Vaticano negou a história, chamando-a de “frívola”. No ano passado, a revista Esquire classificou os sapatos do pontífice de 81 anos como o “acessório do ano”. Os fashionistas diziam que os calçados de couro vermelho provavelmente eram feitos pela maison italiana.

Como o Vaticano não negava nem confirmava a informação, os rumores continuaram a circular, até que o Osservatore Romano publicou uma nota condenando as matérias que, segundo o jornal, deram um ar de futilidade à autoridade máxima da Igreja Católica. A inclusão do papa na lista da Esquire de homens mais bem vestidos do mundo foi, segundo o jornal, “de uma frivolidade que é muito característica de uma era que tende a banalizar e não compreender”. O artigo explica que os sapatos do papa, assim como sua coleção de chapéus extravagantes, não têm nada a ver com vaidade, mas sim com tradição. “Resumindo, o papa não veste Prada, mas Cristo”, disse. O artigo não especificou quem faz os sapatos. As roupas de Bento 16 costumam chamar atenção. Em recentes passagens pela praça São Pedro, ele se protegeu do sol com um chapéu de enorme aba conhecido como “Saturno”, devido aos anéis do planeta. Por volta do Natal de 2005, ele encantou os romeiros ao aparecer com um gorro vermelho e uma capa escarlate, fazendo com que se parecesse com Papai Noel. O Osservatore informou que os acessórios estão longe de ser itens fashion. Na verdade, são peças papais tradicionais, usadas por diferentes pontífices ao longo da história.

(Reportagem de Robin Pomeroy)

Lamentável perder o poeta para o maldito trânsito de Fortaleza…

O poeta maldito José Alcides Pinto morreu… Estava na UTI do São Mateus com morte cerebral… Acidente de trânsito no centro de Fortaleza — que não está mesmo para prosa… Zé Alcides sempre andou na contramão, mas nunca deve ter imaginado (nem nós imaginamos) onde estaria no trânsito de sua morte… Muito devem estar tristes, mas a morte não é o fim…

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A mentira é tudo que aqui podemos provar…

Atravesse o campo verde
enquanto o sol afunda
atrás de você
antes de queimar o campo.
Depois atravesse a terra seca
onde qualquer menino aprende a falar
coisas próximas do absurdo
e então grite.

Ao primeiro grito,
o vento cola a pele no sangue e
o sangue cola a carne nos ossos.
Então, fale alto aquele grande segredo
que mergulhou com você
quando você mergulhou
a cara e os cabelos na correnteza
daquele rio caudaloso.
E afogue no nada entre você e o fogo.

Depois respire e ao deixar o ar entrar,
deixe o outro grito sair.
A anunciação depende da qualidade do ar
que você respira e
do tamanho do grito
que você consegue dar.
Mas não grite se não quiser gritar.
Nem espere gritar quando apenas chegar ao alto mar.
O barco está lotado e
quando o barco lota,
tende a virar e
assim você vai estar
mais uma vez
com a cara e os cabelos em águas
ainda mais profundas,
a soltar um grito de desespero
sem ninguém por perto para escutar.

Tudo que você fixa,
fica aqui e
nada do que fica aqui
você poderá levar.
Só a dor de aprender a dar o grito,
só esta dor,
você vai poder carregar para lá,
o horizonte do mistério,
fora deste mundo de pregos enferrujados.

Ainda com medo de dobrar essa esquina?
Já é tempo de sentir
que os pregos martelados
que prendem você ao mundo moral
sequer existem mais.

Dobre as esquinas e aprenda o que puder.
Onde você pensa que eles encontraram alguma coisa,
nenhum deles encontrou nada
das coisas que você pode encontrar,
quando ativar o ponto fino lá dentro,
que é apenas o fim do medo da perda da gravidade.
Renove a sensação dos ventos.
Mas antes, por favor, peço perdão
se deixei de ser leão
para virar outro signo qualquer.

Evite o vexame de descobrir
a carne que de fato não sou.
Evite a decepção de não me dar razão,
coisa inventada pelos homens
que apenas querem ter a razão.

Os sentimentos são maiores e mais profundos que as razões.
E o todo que podem racionalizar não é nada do que podemos sentir…
O que você sente é maior, melhor e mais belo que o que você pode pensar.

Beba essa aguardente.
Todo batismo de fogo, antes gera um frio.
Veja o jardim debaixo dos seus pés.
Foi construído por mim.
Onde você agora pisa não existem sementes ruins.
E da realidade que você
Agora estranhamente sente
não explodirá nenhum fato novo.
Tudo é lodo em contradição…

Só existe uma coisa a fazer contra o relógio desta estação,
que faz tremer os homens que desesperadamente buscam as horas,
que não passaram, não passam e não passarão.
Olhe o campo, olhe os girassóis…
Tudo a fazer é não pegar este trem para não jogar fora tudo isto
que é pelo menos um bom pensamento…
Se você ainda pensa que isto não é o mais perfeitamente honesto a fazer,
teste o exercício de escrever o grito que sonhou por não ter a honesta coragem de desafiar os que apenas murmuram obscuridades,
os mesmos que abrem os olhos mas não sabem olhar,
que lêem mas não sabem criar,
que escutam mas não sabem silenciar,
que pensam ser por apenas não ser…

Como a canoa quebrada,
dispense o mar das profundas bobagens,
sinta o vime da cadeira,
contemple a respiração do nada,
e enquanto chega o outro dia,
cozinhe algo agradável.
Tire do fundo da panela a experiência dos sabores,
mas antes retire da mesa os objetos de plástico.
Não ponha na mesa a véspera do lixo.
Rebobine o último caso de amor
que partiu com o carro que roncou o motor.
Mas não rasteje até o ponto de abrir os pontos fracos,
Nem esconda a fita deste amor.

Durma no verão e acorde na chuva dos mil anos.
Um homem é a justa seqüência de incontáveis espíritos,

Por isso, o Amor nunca vai faltar,
o Amor é inimaginável, só pode ser sentido.
Mas antes permita que diga isto a você bem baixinho:
AQUI, A MENTIRA É TUDO QUE PODEMOS PROVAR.
A VERDADE NÃO INTERESSA AOS HOMENS.
A VERDADE AQUI É A MORTE QUE OS DOMINA.

(Norton Lima Jr.)

Quero ver fazer publicidade disso… Enquanto a Fortaleza Bela perde verba de transporte escolar, não falta transporte para Luizianne Lins pousar nos Estados Unidos…

A Fortaleza Bela foi incluída na lista negra de 945 municípios que perderam verba de transporte escolar. Não prestou contas do dinheiro público de 2007 até 15 de abril de 2008… Inadimplência, o motivo. A partir de maio fica sem receber os repasses federais do PNATE (Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar), orçamento do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).
87 cidades saíram da lista na semana passada. Enviaram a prestação de contas no final dos acréscimos. Nem isso Luizianne Lins fez. Deve estar mesmo mais preocupada se tem gelo para enxugar no balde do que com qualquer outra coisa…
Outras três capitais brasileiras na lista. Além da Fortaleza Bela, Vitória (ES), Recife (PE) e Porto Alegre (RS). O Josias em seu blog considerou isso um acinte! Boris Casoy considerará uma vergonha! A turma da Luizianne Lins, entre uma festa e outra, vai desconsiderar, é besteira! Assim caminha Fortaleza, da merenda escolar para o transporte escolar…

Na lista negra do FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO, além da Fortaleza Bela, mais 23 cidades do Ceará. A secretaria estadual da Educação não poderia ter soltado um grito de alerta para os prefeitos inadimplentes?

1. PREFEITURA MUNICIPAL DE ALTO SANTO
2. PREFEITURA MUNICIPAL DE ARARIPE
3. PREFEITURA MUNICIPAL DE BANABUIU
4. PREFEITURA MUNICIPAL DE BEBERIBE
5. PREFEITURA MUNICIPAL DE CASCAVEL
6. PREFEITURA MUNICIPAL DE CHAVAL
7. PREFEITURA MUNICIPAL DE DEPUTADO IRAPUAN PINHEIRO
8. PREFEITURA MUNICIPAL DE EUSEBIO
9. PREFEITURA MUNICIPAL DE GROAIRAS
10. PREFEITURA MUNICIPAL DE IBARETAMA
11. PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAIÇABA
12. PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAPAGE
13. PREFEITURA MUNICIPAL DE JIJOCA DE JERICOACOARA
14. PREFEITURA MUNICIPAL DE MARCO
15. PREFEITURA MUNICIPAL DE MILAGRES
16. PREFEITURA MUNICIPAL DE MOMBAÇA
17. PREFEITURA MUNICIPAL DE MORAÚJO
18. PREFEITURA MUNICIPAL DE NOVA RUSSAS
19. PREFEITURA MUNICIPAL DE PACUJA
20. PREFEITURA MUNICIPAL DE PALMACIA
21. PREFEITURA MUNICIPAL DE PARAMBU
22. PREFEITURA MUNICIPAL DE PINDORETAMA
23. PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTANA DO ACARAU

Yes we can…

A nova linguagem, o novo discurso político… Sem videoclip, ninguém escuta… Olha só como está difícil chamar atenção… Por isso Luizianne Lins está, por mera coincidência, sendo estranhamente atacada. Quem tem interesse nisso? Luizianne? Sua oposição? E as peças de ataque são tão bobinhas…

Luizianne Lins, da “Feirinha de Fátima” a “Freirinha de Fátinha…”

Estava no blog do amigo Eliomar de Lima. Não fosse tão medroso, não censurasse comentários, pela dedicação sua aos fatos, adquirido no exercício do rádio, Eliomar seria disparado, mais disparado, o grande blogueiro do Ceará. E mesmo assim o é, mas está perdendo feio para o danado Egídio Serpa… Outro dia, indo para São Paulo, cruzei com Eliomar no aeroporto, onde plantoniza de olhos no vai-vem dos vips. Você acredita, falei com ele, mas ele não falou comigo. Ficou alguma alteração deletéria do humor por causa daquele dia em que Eliomar matou 2 vezes MacLuhan em seu blog, falha técnica, falha de apuração, que fresquei por aqui. Mas isso já-já passa, porque fresco com o Eliomar desde os tempos do curso de Comunicação da UFC, sempre lembrando dos seus tempos loucos quando era seminarista…
Mas perplexo li o post ESTÁTUA DE FÁTIMA É ENTREGUE E LUIZIANNE LINS APREGOA HUMILDADE
Conheço o santuário católico-romano de Fátima em Portugal. Não há lugar mais baixo astral. Perto do local das velas então, nem me lembre o que vi. Orriver. Não escreverei sobre o mistério de Fátima. Sobre o que não podemos falar devemos silenciar, mas com certeza nada do mistério encontra-se no santuário de Fátima, só comércio de lembracinhas e essas imagens que roubam a idéia da Fé, amiga do abstrato, adversária do concreto, pois tudo que é concreto, além de desmanchar no ar, como profetiza o Marx espiritualista Karl, ainda altera o real sentido da Fé.
Luizianne Lins começou a sua vida política como Testemunha de Jeováh, pregando de porta em porta. Ela sabe bem o que representa o uso mágico das imagens para roubar a Fé. Aliás, a idéia de religião enquanto templo, também…

Na inauguração montaram um palanque. Não estranho discurso político dentro de igrejas. As igrejas nunca fizeram outra coisa senão política, principalmente a romana. Eliomar narra que Luizianne disse que ali estava para aprender com as pessoas humildes… Puts, humildade é condição humana, não é condição social… Humildade, hummus, barro…

Eliomar, ex-seminarista, criticou os vereadores que levaram faixas. Narra que os devotos ficaram indignados com esses vereadores que só ajoelham para rezar pelos votos. Contudo, Eliomar (e vou fazer de conta que não sei o motivo) afirma que as criticas ao oportunismo foram endereçadas apenas ao vereadores. Ninguém criticou Luizianne… Pelo contrário, a prefeita distribuiu sorrisos e ganhou abraços por sua “primeira obra concreta…” Eliomar, Eliomar…

Religião rima com reeleição… Se duvidar, Luizianne deve estar despachando até na meia-noite no cemitério da Parangaba. Não duvide, não duvido, porque outro dia flagrei a Lôra assinando papéis dentro do carro oficial na porta de um bar perto do viaduto da Santana Jr com Santos Dumont…

Por último, prova de que nem tudo no Eliomar está perdido, leio que os vereadores Márcio Lopes (PDT) e Jaime Cavalcante (PP) ingressaram com Ação Cautelar de Exibição de Documentos contra a Prefeitura de Fortaleza. Querem saber do uso do Cartão Corporativo da Lôra. Vai ser uma loucura… Será que tem as contas do Universal em Brasília? Será que tem as contas de Gardenal na farmácia? Do eletro-choque em Santos?

SECRETÁRIO DO GOVERNO CID, AO DEFENDER A POLUIÇÃO DA SIDERÚRGICA À CARVÃO, DISSE QUE TAMBÉM EMITIMOS CO2 QUANDO RESPIRAMOS E NEM POR ISSO FICAMOS COM SENTIMENTO DE CULPA…

Quando respiramos emitimos gás carbônico e nem por isso ficamos com sentimento de culpa…A frase foi pronunciada ontem na Assembléia Legislativa do Ceará pelo secretário estadual Antônio Balhmann, espécie de curinga dos Ferreira Gomes, eleito por eles deputado federal nos anos 90, e que agora presta os mesmos serviços de homem da confiança dos FG como presidente da ADECE, Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará…

Tem nome pra isso? “Quando respiramos emitimos CO2 e nem por isso ficamos com sentimento de culpa…” é comparável a frase de um ex-secretário de Saúde da Prefeitura de Fortaleza, “o povo deveria comer ratos para matar a fome…”

E em qual contexto o Blah-Blah-Blahmann falou tamanha loucura. Estava em defesa desse monstrengo poluidor que será a siderúrgica dos coreanos com a Vale do Rio Doce no Porto do Pecem…

A Vale, que acha que só ela é o Brasil que vale, completou 11 anos de privatizada agora no último 6 de maio. Não vou entrar no debate ideológico contra ou a favor a privatização. Fato é que as privatizações atenderam às razões dos mecanismos que controlam o comércio no mundo, tipo OMC. Produto subsidiado não entra, é a lei da OMC. Se a Vale continuasse estatal, não haveria mercado aberto para o aço brasileiro… Eis como complica-se à causa nacional e como acaba tornando-se contraproducente o discurso nacional-patrimonialista. Negar esse realismo é o mesmo que negar o fenômeno de audiência do futebol globalizado, que aumenta o interesse da Copa UEFA e torna algo pobre a Copa do Mundo — mas isso é outro assunto…

A Vale foi vendida à preço da banana, concordamos. Contudo, por esses caminhos de rato dos paradoxos do fazer econômico, se não fosse vendida o setor siderúrgico não decolava e não haveria os mercados que hoje supervalorizam a Vale — já-já beirando os 200 bilhões de dólares. Também não haveria todo esse festival de boas notícias da macroeconomia brasileira, da “boa gestão do Banco Central” — saiu uma excelente no The Wall Street Journal. Toda essa onda brasileira deve-se, em grande parte, a rápida subida dos preços dos produtos exportáveis brasileiros e, sem dúvida, a exportação de minérios é um dos ítens que aumentou (e muito) a nossa balança comercial.

Mas voltando a frase-ideológica-dinheirista do Balhmann, não se faz siderurgia sem energia. É quando quem consegue enxergar, consegue ver a madeira sendo para moldar e dar forma ao minério de ferro… Só a Vale quer construir 3 termoelétricas até 2010. Essas belezas queimam carvão mineral á balde. A idéia por lá, no Pará, é abastecer as termoelétricas com carvão mineral da China. Carga de retorno, vai o ferro, volta o carvão.

Não pense você que não somos responsáveis também por isso. A mente que ama os bens de consumo, ama os carros e o tudo mais que a indústria molda e forma a partir do ferro é a mesma mente que a turma persegue para ora seduzir e ora satisfazer os desejos de conforto material… Por causa dessa loucura, um terço da atmosfera da China está acima dos índices de poluição recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Naquela beleza de democracia, respirar é literalmente impossível. Tudo é cor de chumbo. Os baitolas chineses produzem 500 milhões de toneladas de aço. Para retirar tanta energia do carvão, morrem umas 10 mil pessoas por ano nas belezas que são as minas de carvão, chinesas ou de qualquer lugar…

A Vale é uma beleza para a Amazônia. Sem carvão vegetal não há ferro-gusa. E abusando do ferro-gusa, abusam da floresta. Já queimaram 21 milhões de árvores na Amazônia, segundo os webambientalistas, informação também confirmada pelo Ibama. Essa degradação que queima a mata ainda mobiliza trabalho escravo… A Vale diz que não está ligada diretamente as carvoarias, mas a realidade é que uns 150 mil carvoeiros vivem do carvão que vendem para a Vale… É a mesma lógica, quem ama os carros não tem nada com isso, apesar desse amor-automóvel manter acesso o forno siderúrgico… Certo é que se o desmatamento da Amazônia parar, o Pólo Siderúrgico de Carajás, 13 siderúrgicas, fecham…

Só na região de Carajás, Pará, são 13 siderúrgicas. O Brasil já tem tecnologia para calcular a chuva ácida? A energia mundial vem do carvão, do petróleo e do gás natural. O carvão é o mais antigo. Na China, 70% da energia é queima de carvão. A queima libera óxido de nitrogênio (NO) e
dióxidos de enxofre (SO2). Ou seja, ácido sulfúrico e ácido nítrico. Vamos tomar um banho de chuva na China? Mas o carvão começou mesmo a ser usado em larga escala pelos ingleses na revolução industrial. Você já deve ter visto a atmosfera da Inglaterra proletária do século 19, a mesma que produziu feito os punks, na fotografia de algum filme de época. Cena triste, condições de vida fudida.
O Balhmann, e penso que também o próprio governador Cid Gomes, irmão do Ciro Gomes, ex-presidenciável, acredita que 40% da energia do planeta é carvão, e que carvão é o jeito de acender o forno. E ele quer o forno quente para “correr aço no Pecem”, como Balhmann mesmo diz…

Ferro e carvão estão juntos desde a primeira revolução industrial. Pense em um casal unido. O nome dos seus filhos são Petróleo Queimado, dano ambiental que provoca dano mental em gente tipo Antonio Balhmann — que, de fato, quando pensa emite muito gás carbônico na atmosfera…

Alguém está em condições de explicar essa doideira no Bradesco em Tauá?

DEPOIS DO FATO
– Você sabe o que você acabou de fazer?, perguntou o delegado ao acusado.
– Só lembro que estava indo ao banco para questionar um benefício meu, relatou o agricultor.
Dez minutos depois de preso, já dentro da cela, o agricultor perguntou:
– Onde estou?

ANTES DO FATO
– Vocês estão me devendo 600 mil reais, disse o agricultor.
– Lá sei do que você está falando, disse o segurança da agência do Bradesco em Tauá, Inhamus, na fronteira do Piauí com o Ceará.
– Vendi três casas no município de Arneiroz, insistiu o agricultor.
– Deixe de fazer brincadeirinha, tem muita gente para ser atendida, disse a gerente do Bradesco.
– Já sei o que você quer, declarou o agricultor, antes de começar a esfaquear a gerente, total de 7 facadas; mãos, virilha e abdômen.

O FATO, ÚLTIMA SEXTA-FEIRA, 9 DE MAIO DE 2008
Uma prima do agricultor explica. Em 2002, o Governo do Ceará desapropriou, para construção do açude Arneiroz 2, terras do agricultor, que resolveu ir a agência do banco cobrar a dívida. A agência em 2002 era o então BEC. Virou Bradesco depois da privatização.
O agricultor de 67 anos não tem mulher ou filhos, não estava embriagado e não tomava remédios controlados. O nome não foi ainda divulgado…
Francisca Duarte Xavier, a gerente, “dona Francis”, está no Monte Klinikum. Estado grave, coma induzido.
Marcos Sandro, o segurança, sofreu duas perfurações, mão e rosto. Não atirou para não aumentar o pânico na agência…

Festival de notícias doidas que assolam o Ceará… A ordem é vender otimismo…

Especializada em monitoramento de veículos, a empresa israelense Ituran, já instalada em São Paulo, explicou por que razão preferiu Recife para instalar sua filial no Nordeste:

pela implantação da refinaria da Petrobras e
do seu correspondente pólo petroquímico de Suape,
pelo incremento do pólo vitivinícola e
de fruticultura de Petrolina e
pelo polo de Tecnologia da Informação ancorado no Porto Digital no bairro do Recife.

A Ituran poderia ter optado por Fortaleza,
porque o Ceará tem dois portos marítimos,
é o maior polo calçadista do País,
terá uma gigantesca siderúrgica,
terá a segunda maior usina mundial de geração de energia solar,
tem uma fábrica de jipes,
terá também uma refinaria de petróleo
quando a regulamentação da ZPE virar Lei,
é um grande produtor e exportador de frutas,
tem um moderno polo de fiação e tecelagem
e vai por aí…

ENTÃO, O CEARÁ TERÁ TANTAS COISAS COMO TERIA A FILIAL DA ITURAN…

Mais de um mês sem a-postar em qualquer assunto… Na volta, Demócrito, sogra do governador, Lúcio Alcântara e o primeiro VT de Duda Mendonça para a Luizianne Lins…

Estava a ver aqui… O último post, 8 de abril. Hoje 11 de maio. Passados mais de um mês, retorno aos comentários. No período ausente algumas coisas aconteceram no micromundo cearense. Pelo menos 3 fatos foram relevantes nesse mês sem a-postar, acontecimentos que ainda pousam como moscas na saliva das pessoas que encontro aqui na web ou quando as botas de couro tocam o asfalto das ruas de Fortaleza, asfalto tão remendado que parecem feitos por spray…

ACONTECIMENTO 1 - Um dos fatos mais surpreendentes foi o suicídio de Democrito Dummar, herdeiro-presidente do jornal O POVO. Muitos perguntaram, provocando, se silenciara sobre o episódio. Vão dar corda na mãe… Não foi o caso. Estava na terceira margem do rio…

Essas muitas pessoas comentaram que ninguém publicou que Democrito se matou — e muitos cobraram detalhes dando N detalhes do triste acontecimento… Natural que seja assim. Há uma espécie de convenção, regra, tabu no fazer jornalistico da comunicação de massa. Ninguém publica notícia de suicídio, porque suicídio na comunicação de massa desperta outras pessoas em desalento, desespero a praticarem tal ato que só é possível entender quando se começa a conhecer os labirintos da moral composta que molda os egoísmos.

Não entendo a cobrança sobre o publicar ou o não publicar… É irrelevante… Em tempos de convergência de midia, fim do leviatã da comunicação de massa, aprendemos e somos cada vez mais surpreendidos que o fator da noticia contém o vetor que a espalha. É o vigor da era viral, que está só no começo…

Penso, posso mudar de opinião, só os muito moralistas se matam. Desta tribo de suicidas moralistas, excluir as por overdose. Usar drogas até morrer é no fundo uma tentativa na linguagem de resensibilização, de ruptura com as percepções amestradas, desespero que cumula encontrando a verdade possível nesta linguagem, a morte. Como diria Dylan Thomas, a única verdade que podemos falar é sobre a morte que nos domina. Sobre a Verdade das verdades devemos silenciar, não cair na bobagem teologizante, mera politicagem religiosa, de falar sobre o Inefável. Não há como transformar o abstrato em concreto. Quando metem o concreto para falar do abstrato fazem blocos de pedra — e não ficará “pedra sobre pedra.”

Não li as matérias publicadas sobre a hybris do Democrito. A morte iguala a todos e assim todos perdoam esperando também serem perdoados.

Tão logo soube da notícia, fui como muitos, a sede do jornal O POVO, depois também até a sua casa. Nos locais, reencontrei vários amigos, todos pasmos, sem explicação.

Nas grandes cidades é mesmo algo estranho reencontrar amigos em velórios, enterros. As expressões ficam zanzando entre sentimentos paralelos. Por um lado, a expressão de reencontrar amigos de muito tempo; por outro, a preocupação pela expressão dos aflitos, principalmente os mais familiares. Tentei falar com Vânia Dummar, mas ela estava por demais tomada da comoção, que sequer, penso, sabia distinguir quem era quem.

ACONTECIMENTO 2 - Outro fato super-destacado foi a viagem do governador Cid Gomes com a sogra para Europa — Sogra-jet, Aerosogra etc e tal. Não faltam piadas… Casa civil, casa da sogra… Levasse a sogra para a China faria um negócio da China… Mosquito da dengue pede carona para conhecer os primos que nascem no Rio de Janeiro e Luizianne Lins recomenda que o mosquito se disfarce de sogra…

A sublinhar, é que o acontecimento ilustra o teor provinciano da gestão sem filosofia do perfeccionista Cid Gomes. Quando acontecem dois erros de uma só vez, provincianismo e perfeccionismo, é porque estamos diante de um somatório de forças inconscientes. Qualquer governando que se cerca e cerceia a livre manifestação das personalidades, perde realismo — qualidade 1 para um sistema de governo impessoal e de boas decisões.

Não assumir os erros é querer continuar a conviver com os erros, até receber o flagrante que revolta, causa depressão, desorganização e desorientação. No princípio, Cid tentou abusar da autoridade anunciando que não divulgaria a lista dos passageiros, que já estava na Infraero. Depois cedeu e divulgou antes que a lista aparecesse via Infraero. Todas as desculpas foram piores do que o fato. Martelar que vieram investimentos da viagem não acerta a cabeça nem do maior dos pregos. É a mesma coisa que martelar na parede, arrancar o reboco ou um pedaço do dedo. É triste, não menos que o doidim do Nelson Martins, deputado estadual, líder do Governo na Assembléia Legislativa do Ceará, petista desmoralizado até entre os petistas, criando asas de morcego sofista…

Cid não conseguiu um centavo de investimento da viagem da sogra. No meio da maluquice ainda chamou o hotel de Edimburgo de “bom hotel” — o que será um ótimo hotel para ele? Depois saiu em carreira para Ásia e o máximo que trouxe de novidade foram 5 vagas para treinar engenheiros cearenses na indústria naval coreana.

O Ceará perdeu terreno e vai continuar assim até conseguirem eliminar a candidatura presidencial do meu amigo Ciro Gomes, que é meu amigo, mas continua sem a menor idéia sobre o que dizer para transitar neste fim da prolongada transição redemocratizadora do Brasil, porque continua metido em fardão tecnocrata que nem o Delfim Netto, padroeiro dos tecnocratas, ousa vestir.

Enquanto isso, Pernambuco concretiza mais de 40 bilhões, o Rio Grande do Norte concretiza mais de 18 bilhões, São Paulo já licita algo em torno de 342 bilhões, o Ceará ainda anuncia, sem nome aos bois ou maiores detalhes, incertos 5 bilhões — metade disso para tentar salvar o Pecem, porto dependente até da fruticultura do Rio Grande do Norte.

Assim, sem marca, sem finalidade, com metas sem sentido, o governo Cid Gomes chegou ao fim do segundo ano. Sim, fim do segundo ano, pois além de ser Ano do Rato chinês, que passa rapidinho-rapidinho, as eleições municipais já começam a ganhar as preocupações — e o governo vai ter que parar se quiser vencer nos grotões municipais para no terceiro ano passar a governar sob o discurso da reeleição…

ACONTECIMENTO 3 - Municipais, as eleições começam com o anúncio da desistência do Lúcio Alcântara da disputa para prefeito de Fortaleza. Lúcio prefere continuar na toca, mas vai atuar, e muito, nas eleições — não para vencer, mas fazer número. Boa estratégia.

No íntimo, Lúcio ainda amarga a derrota de 2006, motivada por erros de comunicação social e geopolítica… Foi um governador que manteve na máquina governamental todos os inimigos que enfrentou e foi por eles derrotado. Esteve de 2003 a 2006 ao lado de uma conspiração e só percebeu que estava traído pela astúcia na última hora, e quando tentou reagir, restou-lhe a solidão.

Faltou a Lúcio — não por falta de avisos sinceros muita vezes compreendido como crítica de frustados –, a compreensão das forças que determinaram a sua eleição para o Governo em 2002. Preferiu confiar que trair a aliança que o elegeu. Seria mesmo uma decisão muito difícil para alguém da sua cordialidade.

Gosto muito do Lúcio, detestei o seu governo, tomado por mesquinhos, medíocres, aproveitadores que estavam mais preocupados em se servir do Ceará do que servir, deixar alguma coisa em desenvolvimento… A única coisa boa dessa decisão é que sobraram na curva esses mesmos medíocres que esperavam voltar ao poder do cheque especial sem nem mesmo saber assinar o próprio nome.

Outro lance da eleição municipal veio da Luizianne, em campanha irregular, desrepeitando a tudo e a todos na sua sede de continuar com o osso do poder na boca. A tribo que está no cheque especial da Luizianne Lins continua acendendo até vela preta para que ela ganhe a eleição. Até mesmo Luizianne está nessa. Acreditam que vão vencer a eleição porque estão cheio do dinheiro, grana saindo pelo ladrão. O poder é mesmo absurdo. Sua anestesia é tão forte que faz esquecer qualquer drama vivido no passado… A tribo da Luizianne está tão doida que esqueceu que Luizianne venceu sem ter um centavo no bolso. Aliás, a lora ingrata também esqueceu quem estava por perto quando não tinha dinheiro nem para rodar 5 mil cartazes…

Agora, se Luizianne esquece, o povão não esquece. O primeiro comercial feito para ela pelo Duda Mendonça, publicitário do mensalão agora no mensalora, é pândego. O texto é tão surrado que chega a finalizar anunciando que “isso é só o começo”… Quer dizer que a administração começou no último ano?
Pior que o texto de encerramento é o texto de abertura. A desculpa de sempre. Sem conseguir falar da cidade “como está”, Luizianne fala da cidade “como estava”… Campanha de reeleição é prestação de contas, é a cidade “como está”. Como a cidade “estava” não interessa a ninguém, exceto a turma que vai dar razão a qualquer esfarrapado argumento oficial, a turma que entrou no cheque especial do banco com dinheiro público chamado Luizianne Lins — uma moça que era tão bonita, mas virou a mesma dama do atraso de sempre…

Se você acha tudo isso muito triste, é assim mesmo. Depois piora.

Fala sério, onde está o país sério?


Collor aplaude Lula… Claro que o Collor de hoje têm mais cabeça do que o Collor dos anos 90. Não sou conservador, acredito que as pessoas mudem, melhorem, ganhem maturidade, mas há mais oba-oba do que realismo na notícia de que o Brasil é um país em situação sustentável. Não é. Faltou a construção de uma economia interna. Ainda somos ótimos para quem chega com o pensamento exclusivamente voltado para a extração de riquezas naturais. Ainda somos o atraso porque não ainda nos falta uma filosofia 100% nacional, que teremos, mas que ainda não foi escrita, porque é nossa missão ser uma das grandes nações para a compreensão do que mesmo significa a idéia da humanidade.
No meio de todo esse muito barulho por nada, abro os jronais eletrônicos e me deparo com a matéria sobre o país que acorda (leia aqui). O correspondente do inglês The Guardian deve estar com as mãos na cabeça. Menos de uma semana de sua matéria bajulatória sobre o Grau de Investimento conquistado pelo Brasil, chega a triste notícia da volta da inflação capitaneada pela alta dos alimentos. Nos últimos 12 meses, o IPCA já ultrapassou a barreira dos 10%… O Brasil do Grau de Investimento é o mesmo país que esqueceu de investir em você.

Projeto de lei obrigando a frase abaixo nas placas das obras públicas…

ESTA É UMA OBRA DE LICITAÇÃO… QUALQUER SEMELHANÇA COM OS PREÇOS DA REALIDADE É MERA COINCIDÊNCIA…

Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto…

CLARO QUE NÃO HÁ SEMELHANÇA COM A VERDADE… A VERDADE EXISTE MUITO ALÉM DAS PALAVRAS COMO ALGO QUE NÃO SE NOMINA, PORQUE INEFÁVEL… CONTUDO, O JOGO DE ENGANAÇÃO EM MUITO PARECE O ATUAL ESTADO DO ESTADO DO CEARÁ…

O senador estava andando tranqüilamente. É atropelado, morre. A alma dele chega ao Paraíso.
– Bem-vindo ao Paraíso! diz São Pedro. Antes que você entre, há um probleminha. Raramente vemos parlamentares por aqui, então não sabemos bem o que fazer com você.
– Não vejo problema, é só me deixar entrar, diz o senador.
– Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte. Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, escolhe onde quer ficar.
– Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso, diz o senador.
– Desculpe, mas temos as nossas regras.

Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta se abre… um lindo resort instalado no Estado do Ceará. Encontra todos os seus amigos, políticos com os quais havia trabalhado. Ele é cumprimentado, abraçado e começam a falar sobre os bons tempos. Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar. Quem também está presente é o diabo, muito amigável, dançando e contando piadas. Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe.

O senador sobe, sobe, sobe e porta se abre outra vez. Agora é a vez de visitar o Paraíso. Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando. Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.
– E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Agora escolha a sua casa. Ele pensa 1 minuto e responde:
– Olha, eu nunca pensei… O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno.
Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.
A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo. Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos. O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do senador.
– Não estou entendendo, gagueja o senador, ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!!
O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:
– Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto…

Chegou a hora do Brasil virar Brasil…

Recebi esse emeio com a matéria abaixo transcrita do amigo Beto Andrade. Respondi esculhambando. Primeiro porque a matéria contém o forte virús do otimismo, doença devoradora de inteligência. E esse otimismo saiu de um endereço bem conhecido hoje pelas redações, saiu do Banco Central. Alguém quer faturar o ambiente, no caso, Henrique Meirelles presidente do Banco Central — nome que desde já desponta como excelente vice para qualquer chapa em 2010.

Isso fica bem visível por causa da nota do Henrique Meirelles (sobre os sucessivos crescimentos trimestrais) transcrita no corpo da matéria…

Segundo, o tom é apologético e por vezes bajulador. A hora é outra. É preciso abrir bem os olhos para não desperdiçar a oportunidade (coisa que serve para todos, incluindo nós, que temos desperdiçado oportunidades por causa da nossa agenda que precisa ser repensada em termos do que deve ser priorizado e do que precisa ser descartado para a economia da organização, não deve haver espaço para aquilo que é ineficiência…)

Agora, o Brasil precisa começar a ouvir que é tempo de começar a se organizar, de criar vergonha na cara, melhorar a eficiência para aproveitar a maré. Enfim, hora de criar juízo e aumentar a responsabilidade..

Ainda não há nada a comemorar, pelo contrário, é preciso correr e muito para não ser atropelado pela fama que está chegando antes da preparação, com o país ainda improvisando muito em todos setores…

O Brasil não pode cair no conto do pugilista que foi nocauteado no segundo round porque ficou comemorando a vitória por pontos no primeiro round… É preciso entender que a bonança são ondas que farão as próximas tempestades…

Se a matéria da EXAME tivesse mais Armírio Fraga do que Henrique Meirelles, a análise estaria de bom tamanho. Aliás, a diferença entre Fraga e Meirelles é grande. A diferença é que Fraga teve um babaquara como presidente. E Henrique Meirelles é presidido por uma espécie de João Figueiredo do fim do ciclo de redemocratização, é presidido por um malandro muito esperto…

Há ainda focos no texto de manejo de midia, como a reposição da informação sobre Warren Buffet…

É preciso considerar que o ambiente de negócios no Brasil ainda não é confiável,

também é preciso observar que CRÉDITO e BOLSA não são produção, portanto, são ainda virtualizações, e mesmo que induzam a realização não podem ser tomadas como fato, como acontecimento, como realizações…

uma realidade baseada em crédito e bolsa não é o que podemos chamar de economia sustentável,

tem muita gente “apostando no Brasil”, como se aqui fosse um cassino novo… e de certa forma, ainda estamos reféns ou seremos orfãos de uma fuga de capital em massa, caso por exemplo alguém com idéias de confisco começe a chegar perto do poder…

não podemos deixar também de falar sobre o Bolsa Família como uma bomba relógio, pois o programa já desmantela, por exemplo, a agricultura de sequeiro, base da agricultura familiar, pedra fundamental do imenso chão de povoados brasileiros que Brasília inventou chamar de cidades…

tem muita gente colocando dinheiro agora para depois tirar o seu — e não me venha dizer que não…

Outro ponto a considerar é que “pacotes de crédito” causam estragos rasgados mais na frente. Todos sabem que uma coisa é ter dinheiro e outra coisa é ter crédito… Há um mau uso continuado do crédito, isso é algo que já arrebenta as finanças do interior do Brasil, onde os bancos fizeram busca ativa pela consignação dos pagamentos do INSS… Esse é o ponto, o endividamento é também uma das ciências da sobrevivência nesse mundo caótico… Uma coisa é se endividar comprando uma casa, outra é se endividar comprando uma geladeira, outra é se endividar comprando um celular com câmera, outra é se endividar comprando sapatos ou roupas da China…

Quem acha que não, quem está aplaudindo esse populismo no crédito, veja o atual exemplo do que acontece nos Estados Unidos, onde alguém inventou aquecer a economia usando o crédito para fazer evoluir setores…

Não haverá flash-backs, mas future-flashes… É bem por ai…

Brasília faliu, lá se conversa mais sobre Nova Iorque do que sobre Santa Quitéria… Delfim Neto já não consegue enxergar mais nada, Lula é apenas um astuto malandro velho que soube muito bem entender os erros do antigo ocupante do cargo, um típico babaquara paulista, o FHC, que não conseguia tomar uma decisão sequer sem antes abrir a página de algum livro mofado do século 19…

Tá faltando imaginação brasileira no comando do Brasil…

Por enquanto, boa notícia mesmo seria Fernando Gabeira prefeito do Rio de Janeiro… E enquanto isso não acontece, leiam o exame da EXAME.

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O Brasil que acelera
| 06.03.2008

O país vive o melhor momento econômico em três décadas, com uma inédita combinação entre estabilidade, aumento do consumo e da renda e investimentos recordes na produção. É a oportunidade de o Brasil ingressar na elite do capitalismo mundial

Por José Roberto Caetano e Roberta Paduan

Em sua trajetória rumo à elite do desenvolvimento, todos os países hoje líderes viveram um momento considerado decisivo para a virada econômica. São períodos raros na história, em que uma combinação especial de fatores permite à sociedade desatar antigas amarras do passado e adentrar a modernidade. A transformação da economia japonesa em potência tem como marco o Tratado de Kanagawa, firmado com os Estados Unidos em 1854. A partir daí, os portos foram abertos ao comércio e iniciou-se um processo de intensa industrialização. Foi também nessa época que os Estados Unidos se fortaleceram, com a vitória do norte do país na Guerra de Secessão, a acumulação crescente de capital, uma revolução nos transportes e a expansão territorial, a ponto de, no início do século 20, já terem ultrapassado o Reino Unido como a maior economia mundial. Num caso mais recente, o da China, as reformas econômicas iniciadas por Deng Xiaoping em 1978 promoveram a arrancada que hoje impressiona — e assusta — o mundo. O Brasil, ao longo da história, flertou algumas vezes com o crescimento sustentado, sem nunca ter conseguido dar o salto decisivo. A coleção de notícias positivas vindas da economia brasileira neste início de ano, em meio a uma das mais sérias crises financeiras internacionais dos últimos tempos, começa a intrigar homens e mulheres de negócios, economistas e analistas. O investimento estrangeiro bate sucessivos recordes. O país avança rapidamente como mercado consumidor em escala global e já possui o maior mercado acionário emergente. A economia mantém o ritmo forte e cresce sem parar há 24 trimestres. A geração de empregos em 2007 foi a maior em quatro décadas. Grandes empresas, como a Vale, são protagonistas (do lado comprador) de alguns dos maiores negócios mundiais. Nos últimos dias, o frigorífico Friboi anunciou três aquisições internacionais, num total de 1,3 bilhão de dólares. Diante desses fatos, uma questão que costumava fazer parte do anedotário dos brasileiros começa a ser mais uma vez levantada: terá chegado, enfim, a vez do Brasil?

O país continua a ter uma série de problemas — todos velhos conhecidos –, e eles não desaparecerão da noite para o dia. Alguns são hereditários. Outros foram criados ou reforçados por governos recentes. Há inúmeras travas. Mas a boa notícia é que elas não têm sido suficientemente fortes para barrar o crescimento da economia real — aquela que aparece no movimento das linhas de montagem, nos classificados de empregos, no comércio internacional, nas safras recordes do agronegócio. Estamos colhendo hoje o resultado de anos de estabilidade e ortodoxia monetária. O que era visto como heresia pelo partido do atual presidente da República ironicamente se tornou seu grande trunfo de governo.

O resultado da inflexibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao controle da inflação é uma economia vibrante e promissora como não se viu durante três décadas. Uma pesquisa exclusiva feita por EXAME com 136 presidentes de empresas de capital estrangeiro instaladas no país mostra que o humor das matrizes em relação ao Brasil mudou — para melhor. A maioria desses executivos considera que a economia brasileira está bem melhor do que há cinco anos. Quase 90% deles afirmam que os investimentos na operação local aumentaram nesse período. Olhando para o futuro, as expectativas são de mais crescimento e ampliação dos negócios no país. Tal percepção é materializada, por exemplo, no distrito industrial de Santa Cruz, subúrbio do Rio de Janeiro onde toma forma o maior investimento privado em curso no Brasil. Lá, mais de 14 000 operários trabalham 24 horas por dia para erguer a CSA, siderúrgica de 3 bilhões de euros do grupo alemão ThyssenKrupp. Montadoras como GM, Fiat e Peugeot se sucedem no anúncio de novas fábricas. A previsão é que, até 2012, o Brasil seja responsável pela montagem de 5 milhões de carros por ano. O quinto maior parque de computadores do mundo é um pólo de atração para grandes empresas de tecnologia. “O Brasil é uma das prioridades da Microsoft. O país não apenas está crescendo rapidamente como tem se desenvolvido muito na área de tecnologia e modernizado a infra-estrutura”, disse a EXAME Steve Ballmer, presidente mundial da Microsoft. “É uma equação perfeita.”

Cada vez mais forte
A dimensão e o crescimento de alguns setores de consumo no Brasil (tamanho do mercado em dólares)

Alimentos industrializados
2002 34 bilhões
2007 67 bilhões
Crescimento de 97%

Automóveis
2002 24 bilhões
2007 38 bilhões
Crescimento de 58%

Roupas e calçados
2002 22 bilhões
2007 33 bilhões
Crescimento de 50%

Cosméticos e higiene pessoal
2002 7,6 bilhões
2007 20,5 bilhões
Crescimento de 70%

Bebidas
2002 8 bilhões
2007 18 bilhões
Crescimento de 125%

Móveis e artefatos domésticos
2002 10 bilhões
2007 17,5 bilhões
Crescimento de 75%

Computadores
2002 10 bilhões
2007 16 bilhões
Crescimento de 60%

Ferramentas e reparos domésticos
2002 8,4 bilhões
2007 13,6 bilhões
Crescimento de 62%

A MUDANÇA EM CURSO NÃO ESCAPOU DO RADAR de um dos mitos do mercado financeiro internacional. Em sua tradicional carta anual aos acionistas, publicada em 29 de fevereiro, o americano Warren Buffett surpreendeu os investidores ao anunciar que sua companhia, a Berkshire Hathaway, havia lucrado 2,3 bilhões de dólares no ano passado apostando no real contra o dólar. Ninguém imaginava que Buffett, que nunca investiu um centavo por aqui, tivesse familiaridade com os movimentos da moeda brasileira. Discretamente, ele comprava reais desde 2002. “Só tínhamos uma posição cambial em 2007. Ela era em — segurem a respiração — reais brasileiros”, disse Buffett. E arrematou: “Até bem pouco tempo atrás, trocar dólares por reais era impensável. Cinco versões da moeda brasileira viraram confete no século passado. Mas, de 2002 para cá, o real subiu e o dólar caiu todos os anos.”

Onde o Brasil já é grande — O mercado consumidor brasileiro coloca o país entre os que mais consomem vários produtos

Pisos e azulejos 2º maior do mundo
Cosméticos 3º maior do mundo
Celulares 3º maior do mundo
Chocolate 4º maior do mundo
Computadores 5º maior do mundo
Refrigerantes 5º maior do mundo
Bebidas alcoólicas 5º maior do mundo
Automóveis 8º maior do mundo
(Fontes: Euromonitor, Anfavea, IDC, Abicab e Anfacer)

Mais uma vez, o real estável (e forte) e suas conseqüências. Foi a moeda preservada que, em boa medida, fez o mercado consumidor se transformar num dos pilares do crescimento. O consumo brasileiro se expandiu 7% no ano passado, enquanto o produto interno bruto cresceu perto de 5,5%. Boa parte dessa evolução se deve ao crédito, ampliado de 336 bilhões para 1 trilhão de reais nos últimos sete anos — resultado de uma das mais importantes reformas econômicas do governo Lula. Foi o crédito o motor do espetacular aumento das vendas de bens como automóveis e eletrodomésticos nos últimos dois anos. É daí também que vem o impulso para a explosão em andamento no mercado imobiliário. O Brasil começa, assim, a se aproximar do modelo das grandes economias capitalistas, fartamente irrigadas por crédito. Mesmo com o custo real do dinheiro ainda elevado, a queda dos juros e a ampliação do número de prestações dos crediários já aumentaram sensivelmente o consumo das classes C, D e E, iniciando um processo de inclusão. O movimento de absorção de 20 milhões de pessoas no mercado nos últimos cinco anos está levando o Brasil a ocupar posições cada vez mais relevantes no plano mundial em diversos setores. Esse incremento da demanda gera um subproduto: certo descolamento do país em meio à crise internacional.

“Estou entusiasmado por viver aqui neste momento”, afirma Horácio Lafer Piva, um dos sócios da Klabin e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Passei muitos anos vendo empresários atrás de dinheiro para pagar bancos e presenciando negócios quebrarem. Hoje, vejo as pessoas à procura de dinheiro para investir mais, empresas comprando outras ou se fundindo, tornando-se maiores e mais fortes.” Empresários e executivos sabem que há muito mais por fazer — a maioria dos quase 200 milhões de brasileiros permanece excluída de várias categorias de consumo. “As oportunidades no Brasil são imensas”, afirma Jeff Fettig, presidente mundial da Whirlpool, fabricante das marcas Brastemp e Consul. Apenas um em cada quatro lares brasileiros tem microondas, e um terço conta com lavadoras. De 2004 para cá, o mercado de eletrodomésticos praticamente dobrou, subindo da oitava posição mundial para a quarta. A Whirlpool vendeu no Brasil um total de 7 milhões de geladeiras, fogões, lavadoras e outros aparelhos no ano passado, um recorde histórico. “O país tem hoje inflação baixa, juros em queda, aumento de renda e baixo endividamento externo. Isso tudo indica um caminho de forte crescimento”, diz Fettig.

O que eles pensam do Brasil — Alguns dos homens de negócios mais importantes do planeta disseram a EXAME como vêem a nova fase da economia brasileira

Peter Y. Solmssen
Presidente da Siemens para as Américas
“Na última década, o Brasil deixou de ser um mercado regional para ser um jogador global de grande futuro. As reformas econômicas ajudaram a potencializar o crescimento econômico. As vendas no país dobraram de 2003 a 2006 e esperamos que dobrem novamente até 2010.”

Friedrich Berschauer
Presidente da Bayer CropScience
“O Brasil mostra sua importância internacional todos os dias. Nos últimos 15 anos, o mercado brasileiro de defensivos agrícolas cresceu 10% ao ano, em média. É um dos três mercados mais importantes para a companhia.”

Alberto Weisser
Presidente mundial da Bunge
“O país será cada vez mais importante no cenário mundial e deve trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável. Pretendemos concentrar no Brasil a maior parte dos investimentos globais da Bunge nos próximos anos, algo em torno de 1,3 bilhão de dólares. Entretanto, é necessário que os entraves burocráticos, que muitas vezes dificultam os investimentos, sejam reduzidos.”

Steve Ballmer
Presidente mundial da Microsoft
“O Brasil é uma das prioridades de crescimento da Microsoft, devido, principalmente, à forte densidade demográfica, à estabilidade econômica e ao crescimento da base de computadores. Não é somente um grande país crescendo rapidamente, é também um país que tem se desenvolvido muito na área de tecnologia e modernizado sua infraestrutura. Essa é realmente uma equação perfeita.”

William Burns
Presidente mundial da divisão farmacêutica da Roche
“O tamanho da população e as atuais taxas de crescimento da economia brasileira são muito atraentes, principalmente se comparadas às baixas taxas dos países desenvolvidos. Há ainda muito espaço no Brasil para melhorias em proteção a patentes e tempo de registro, mas uma prova concreta de nossa confiança no país são os investimentos de 70 milhões de dólares na fábrica do Rio de Janeiro.”

A VIA PARA OS FABRICANTES DE COMPUTADORES também é ampla. Mesmo com os 11 milhões de unidades vendidos no ano passado, apenas 23% das residências do país contam com PCs. O Brasil atingiu o posto de quinto maior mercado mundial do setor, mas até 2010 deve se tornar o terceiro — atrás apenas de China e Estados Unidos. A expansão do mercado motivou a americana Dell em 2007 a inaugurar uma nova fábrica, em Hortolândia, no interior de São Paulo, e a passar a vender no grande varejo. Um caminho seguido pela chinesa Lenovo. “Espero atender o varejo ainda neste ano”, diz Marcelo Medeiros, gerente-geral da Lenovo no Brasil. “Isso pode nos garantir uma taxa de crescimento de três dígitos ao ano.” São perspectivas desse tipo que colocam o país ao lado de Rússia, Índia e China para formar o Bric — o bloco das grandes economias do futuro cobiçadas por empresas do mundo inteiro. Na sede mundial da alemã Nivea, os países emergentes são a chave para o crescimento da companhia desde 2005. “O Brasil, maior mercado da empresa entre os Bric, é um dos países mais importantes para nossa estratégia global”, diz Thomas Quass, presidente mundial da Nivea. As vendas no país cresceram 22% em 2007. “Minha missão é continuar crescendo à média de 15% nos próximos anos”, afirma Nicolas Fischer, presidente da subsidiária brasileira. Pode não ser uma expansão como a vista nos relatórios chineses, mas é uma enormidade para um grupo acostumado a lidar com mercados maduros, como o europeu.

É verdade que o Brasil contou com uma grande ajuda externa para avançar até esse novo estágio — o fator China. O país cresce há 15 anos à taxa de 10% e chegou a 2002 com tamanho suficiente para transformar a economia mundial. O Brasil foi um dos grandes beneficiados pela alta dos preços de matérias-primas, provocada pela voracidade de seu consumo. O volume espetacular de compras da China mais que dobrou o preço das commodities nos últimos seis anos. Foi esse fenômeno que catapultou as exportações brasileiras do agronegócio e de minérios, tornando a balança comercial e de pagamentos positiva a ponto de estabilizar o câmbio e permitir que o país acumulasse 200 bilhões de dólares em reservas internacionais. Nada faz pensar que a China estancará. A Vale acaba de reajustar em 65% o preço do minério de ferro que fornece aos chineses. O superciclo das commodities e o crescimento da economia mundial foram duplamente benignos para o Brasil. Por um lado, o país recebeu forte estímulo ao crescimento. Por outro, deixou de ser devedor internacional ao deter créditos superiores aos de sua dívida externa. Exageros na comemoração à parte, esse é um marco importante. “A história da economia brasileira é a história da falta de dólares”, afirma o economista Sérgio Vale, da consultoria MB Associados. Antigamente, quando ocorria uma crise internacional, o Brasil sofria fuga de capitais, dada a desconfiança de que o país não conseguiria honrar dívidas. A moeda brasileira se desvalorizava e o resultado era o aumento da inflação, ao que o Banco Central tinha de reagir com elevação da taxa de juro. Como conseqüência, a economia esfriava, provocando os famosos “vôos de galinha” — um recuo no crescimento logo após a decolagem. “O grande mérito da política econômica foi interromper os mecanismos de auto-alimentação de crises que existiam no passado”, diz Henrique Meirelles, presidente do Banco Central. “Hoje, estamos livres desse padrão e por isso a economia cresce, sem gerar desequilíbrios, há 24 trimestres.” Segundo Meirelles, a estabilidade monetária e cambial faz também com que as empresas se abram para buscar fornecedores globalmente e invistam mais em equipamentos modernos. Isso, por sua vez, torna a economia mais competitiva e capaz de crescer a taxas mais elevadas e consistentes.

Tantas mudanças não costumam escapar dos especialistas internacionais — muitas vezes mais ágeis para enxergar cenários. “Sem negar os inúmeros problemas que ainda precisam ser enfrentados, o Brasil deixou de ser visto como um experimento de laboratório, uma caixa de sustos, para ser percebido como um país que pratica uma economia moderna”, afirma o economista Tom Trebat, diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Columbia. O bom humor com o Brasil é visível em editoriais das principais publicações do mundo. Para a revista inglesa The Economist, o país jamais esteve tão preparado para enfrentar turbulências. Para o jornal Financial Times, a economia brasileira parece hoje imune à crise americana.

A mudança de imagem se reflete em diversas situações vividas por quem faz negócios no país. Uma história pessoal de Stefano Bridelli, presidente da subsidiária da consultoria de estratégia Bain & Company, mostra a descoberta do Brasil pelos fundos estrangeiros de private equity, especializados em comprar participações em empresas. Todo ano, Bridelli bate à porta de grandes fundos nos Estados Unidos e na Europa para tentar vender serviços de consultoria a quem queira investir no Brasil. “Há cinco anos, eles me recebiam educadamente, perguntavam como tinha sido minha viagem e me desejavam uma boa volta”, diz. “Nas últimas visitas que fiz, tomei um susto com o nível de informação e interesse no Brasil.” Segundo Bridelli, atualmente a Bain trabalha para fundos em quatro projetos, todos de investimentos acima de 100 milhões de dólares.

A saída para eles está na Bolsa de Valores de São Paulo, a maior e mais estruturada entre os países emergentes. Em 2007, foram realizadas 64 aberturas de capital na Bovespa. Juntas, representaram uma captação de 56 bilhões de reais — dinheiro na veia para empresas em busca de musculatura. A bolsa é uma fonte de capitalização que praticamente não funcionava para a maioria das companhias brasileiras até cinco anos atrás. Entre as maiores aberturas de 2007 está justamente a das duas bolsas brasileiras: a Bovespa, de ações, e a BM&F, de futuros. As duas agora negociam uma fusão que pode criar a segunda maior bolsa das Américas.

Um dos principais indicadores da mudança de percepção é a iminência de o Brasil receber o selo de grau de investimento — um atestado de que o país não oferece mais risco de dar calote na dívida. “Há mais de um ano o mercado financeiro trabalha com essa possibilidade”, diz Mauro Leos, vice-presidente da agência de classificação Moody’s. “Portanto, não será nenhuma surpresa quando acontecer.” Outra agência, a Standard & Poor’s, prevê que o grau de investimento pode vir ainda em 2008. Muitos investidores já se antecipam. O fluxo de investimento direto estrangeiro no país bateu recorde, quase dobrando no ano passado. Considerando o que entrou em janeiro, o patamar do investimento agora subiu para 37 bilhões de dólares em 12 meses. Mais que quantidade, é um investimento de qualidade. Na média do mundo, dois terços do dinheiro que entra como investimento direto são direcionados a fusões e aquisições, e um terço segue para novos empreendimentos. No Brasil, a maior parte vem sendo alocada em ampliação ou início de operações. “O maior investimento que nosso grupo está fazendo hoje se encontra aqui”, afirma Franklin Feder, presidente da subsidiária da americana Alcoa, fabricante de alumínio. De acordo com ele, 5,5 bilhões de dólares devem ser aplicados até 2010 em minas de bauxita, ampliação de fábricas e construção de hidrelétricas. O agronegócio, setor que já representa 30% do PIB, tem atraído grandes volumes de recursos estrangeiros. A americana John Deere está inaugurando uma fábrica de tratores e colheitadeiras no Rio Grande do Sul, orçada em 250 milhões de dólares. “O Brasil se tornou um líder na produção agrícola de alimentos, biocombustíveis e fibras”, diz Robert Lane, presidente mundial da John Deere.

O crescimento — que muitos analistas consideram sustentável — da economia brasileira é um processo que se desenrola há anos. “Não estamos falando de uma revolução, mas de uma fase de amadurecimento sem paralelo iniciada no Plano Real”, diz o americano John Williamson, considerado o idealizador das políticas econômicas reunidas sob o selo do Consenso de Washington. O controle da inflação, alcançado em 1994, foi a base para as inúmeras transformações. Ajudou, por exemplo, a aumentar o poder de compra do brasileiro. Só nos dois últimos anos, a renda das famílias no país cresceu quase 20%, o que impulsionou o consumo. Já descontada a inflação, o aumento correspondeu a 194 bilhões de reais a mais no ganho das famílias em relação a 2005. O resultado disso tudo é um crescimento econômico de 4,5%, em média, nos últimos quatro anos. Desde o milagre econômico, nos anos 70, o país não crescia tanto por anos seguidos. “A diferença é que o crescimento atual é mais saudável”, afirma o consultor Vale, da MB. Trata-se de uma expansão muito menos impelida pelo Estado, e com forte contribuição do setor privado, que se abriu para a competição mundial nos últimos 30 anos.

Mais crescimento e investimento. Mas ainda com cautela
EXAME realizou uma pesquisa com os presidentes de 136 das maiores empresas de capital estrangeiro instaladas no país para verificar a percepção sobre a evolução da economia brasileira e suas perspectivas. Eis os resultados:

Momento atual
Em relação a cinco anos atrás
47% A economia está melhor, mas a matriz mantém cautela
46% O Brasil está muito melhor e inspira total confiança
7% Só com reformas o país irá inspirar mais confiança

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Em comparação com outros países
49% O Brasil já é um dos maiores mercados do grupo no mundo
46% A subsidiária ainda não é tão grande, mas deve crescer
5% A operação local está perdendo posições

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No que diz respeito a investimentos
86% A empresa investe hoje no Brasil mais do que há cinco anos
10% A empresa mantém a média de investimentos
4% A empresa reduziu investimentos nos últimos cinco anos
Perspectivas
A expectativa da empresa em relação ao futuro do país
51% Há risco de o país voltar aos “vôos de galinha”
47% A economia tende a ser cada vez mais sólida
2% O Brasil deve sofrer muito com a crise mundial

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No plano dos investimentos futuros
76% A empresa deve aumentar os investimento
18% A empresa quer investir apenas para manter a posição no país
6% A empresa pode diminuir a operação no Brasil

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O cenário vislumbrado para o setor em que opera
60% O mercado tende a crescer fortemente
39% O mercado deve crescer a taxas modestas
1% O mercado não tem perspectiva de expansão

OTIMISMO EXAGERADO? UFANISMO? Preste atenção nas palavras do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, dono da gestora de investimento Quest, ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso e um dos mais contundentes críticos da gestão Lula. “O Brasil está finalmente no caminho para deixar de ser o eterno gigante adormecido e se tornar uma das economias mais importantes do mundo”, afirma ele. Diante dos recentes resultados da economia, até mesmo a ala mais radical do PT se calou. Quando se olha para o futuro, parecem reduzidas as chances de sucesso eleitoral de alguém à esquerda de Lula. Ou seja, o Brasil pode ter se livrado do populismo que ainda assola o continente e impede o surgimento de uma economia madura de mercado. “No futuro, os anos 2000 serão vistos como aqueles em que o Brasil mudou de rumo”, afirma o economista Trebat, de Columbia. “Não há projeto político nem opinião pública favoráveis à mudança desse rumo, que é claramente no sentido de um país democrático politicamente, estável e cada vez mais globalizado.”

Um teste importante que está por vir será a convivência com déficit em conta corrente e superávit comercial menor. Projeta-se um déficit em conta corrente no ano de 4 bilhões de dólares, o primeiro resultado negativo desde 2002. É algo a ser acompanhado com atenção, mas especialistas consideram que por ora não há luz amarela. “É saudável que um país como o Brasil tenha um pequeno déficit”, diz o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Além disso, é preciso considerar que o câmbio flutuante jogaria a favor de um reequilíbrio caso o déficit começasse a crescer demais. E há ainda o fato de que o déficit hoje tende a ser financiado pela entrada de investimentos — e não por endividamento, como ocorria no passado. É uma poupança externa que o país está absorvendo — e necessita absorver, porque a taxa de poupança doméstica é baixa. “A luz vermelha acenderia se voltássemos a nos financiar com endividamento”, diz Fraga.

Hoje, o maior risco de o país não aproveitar o bom momento está no próprio Brasil. “No curto prazo, vamos bem”, diz Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central e economista-chefe do banco ABN Real Amro. “Mas os níveis de gastos do governo, que são altos e continuam crescendo, não são sustentáveis no longo prazo.” O crescimento real do gasto federal tem sido de 7% ao ano, o que está sendo absorvido com o aumento de arrecadação tributária. Porém, em dez anos, isso exigiria que a carga subisse dos atuais 38% para mais de 50% do PIB. A reforma tributária é considerada fundamental para reverter essa situação (veja quadro ao lado). Para Armínio Fraga, outras frentes a ser atacadas são a regulação dos setores de infra-estrutura e a melhoria do ambiente de negócios. Sem isso, fica difícil sonhar em ser uma economia capitalista de primeiro time. “Estamos classificados no 121o. lugar no ranking do Banco Mundial que mede a qualidade do ambiente de negócios”, diz Fraga. “Deveríamos fixar como meta chegar aos 30 primeiros do ranking. Isso aumentaria a eficiência da nossa economia e os investimentos.”

São obstáculos que precisam ser encarados, sob pena de reverter uma tendência auspiciosa que o Brasil começou a experimentar. Na história, alguns países atrasados souberam tomar as decisões corretas e conseguiram subir a um patamar mais alto. Assim foi recentemente com a Coréia. É o que estão tentando agora a China e a Índia. Há diferenças entre todos os casos, claro. Mas é certo que o Brasil está diante de uma oportunidade única de escolher em que degrau pretende estar mais à frente. O presente nunca foi tão promissor para o país do futuro.