Etiqueta para usuários de mensageiros instantâneos

2008 Janeiro 20

Mensageiro instantâneo GaimOs mensageiros instantâneos (MIs) que todos conhecem - quem hoje não usa um MSN Messenger, Gtalk ou mesmo o pesadão e robusto Yahoo Messenger? - são, depois do e-mail e dos sites pornográficos, a tecnologia mais divertida da internet. Além de divertidos, aproximaram como nunca pessoas dos mais diversos locais do planeta, mataram saudades, criaram amizades e, para os viciados em trabalho, são ferramentas imprecindíveis para a colaboração e produtividade. Mas há momentos que enchem o saco de qualquer mortal, do mais calminho ao mais psicótico.

A mais valiosa lição que aprendi desde que comecei a usar a web, 16 anos de experiência, do Trumpet Winsock ao mobile, e que ainda falho em aplicar, é ter cuidado quando fornecer qualquer um dos meus inúmeros endereços de MIs. Talvez seja burrice, teimosia (que é uma forma de burrice) ou ter ainda certa esperança na humanidade, mas o fato é que, por mais que eu saiba do risco de quebrar a cara, sempre aceito que pessoas de quem nunca ouvi falar me adicionem como contato. Vai ver é carência afetiva.

No momento em que escrevo este post, 2:15 da madrugada do sábado, existe pelo menos um contato de quem não faço idéia de quem seja, uma tal de Amanda Diaz, usuária do Y! Messenger e que vive ausente. Não tem foto, não tem detalhes no profile do Yahoo, nada, uma verdadeira incógnita, na certa deixei adicionar nas aventuras etílicas na web. Outro mistério é um cara chamado Lucas Júnior, usuário do MSN, com quem nunca sequer troquei um “oi”. Mas esses são bons exemplos, nunca me deram trabalho nem me tiraram do sério. Quem irrita mesmo é aquele contato que acha que é seu melhor amigo e que usa os MIs como ajuda psiquiátrica. O doido ou o chato assumido.

Na tentativa de educar as pessoas, ou pelo menos as que devem, no momento, estar se perguntando se escrevi este post por causa delas, elaborei uma listinha que não custa nada seguir como padrão no uso do MIs. Ei-la:

  1. evite o discurso telegráfico: não (enter) há (enter) nada (enter) pior (enter) que (enter) a pessoa (enter) que (enter) precisa de várias linhas para completar uma mensagem. Você quer dizer algo? Escreva em uma linha contínua, nunca em dez, todos os mensageiros aceitam parágrafos grandes o suficiente para você se fazer entender sem a necessidade de criar uma linha pra cada palavra;
  2. emoticons não substituem palavras: como o próprio nome diz, o emoticon expressa uma emoção, se você está triste, alegre, se está sorrindo, ou com raiva, etc. Nunca, jamais troque palavras por ícones. Ex.: foto. A pessoa, se achando a mais descolada no mundo virtual, programa o MSN para substituir “foto” por Câmera. Daí surgem as aberrações: “Câmeragrafia”, “Câmerasensibilidade”, “Câmerasensores” e por aí vai.
  3. E olha que pessoas com esse hábito não conseguem encontrar um ícone para câmera até bonitinho como esse aí, geralmente é algo como Camera emoticon. E “amor”? Vira ?cone de coração, mas, de novo, quem faz isso, não tem bom gosto, e você, do outro lado da conversa, é obrigado a lidar com um “Eu Emoticon de coração Camera emoticongrafia”. Simplesmente, não rola.

  4. tenha uma conversa linear: não estou em uma mesa de bar onde os assuntos mudam com freqüência nem mesmo estou vendo suas expressões faciais ou corporais, portanto, um pouco de coerência ajuda. Passar, em cinco segundos e com o supracitado discurso telegráfico, de religião para a cor do cavalo branco de Napoleão prejudica qualquer diálogo virtual. Não se faça passar por doido. Ou por abestado.
  5. respeite meu status: se estou marcado como “ocupado” ou “busy” há um motivo, significa, diretamente, que estou com pouco tempo para conversa. Se sua mensagem é urgente, seja breve. Se estou “indisponível” ou “away” é porque ou não quero papo ou estou mesmo longe do computador, afinal, há todo um mundo de sol e pessoas lá fora.
  6. se apresente: você acabou de adicionar alguém que não conhece? Diga quem você é, a que veio e o propósito da sua comunicação. Funciona como no “mundo real”, há de se ter alguma urbanidade.
  7. você tem nome de batismo: tenho vários amigos, e alguns muito bons amigos, com a mania horrível de trocar o nome do MSN. Sempre me confundo. O último foi Gabriel Ramalho, que sob a alcunha de “Willie Nelson Ned” me pediu o contato de outro amigo. Se existe algo que mantenho em segredo são telefones celulares e contatos de MIs. Para mim é informação sensível, é como fornecer o endereço para um desconhecido por telefone, não me sinto à vontade em compartilhar com qualquer um. Se eu relutaria em informar Gabriel, amigo e chapa, para o Willie Nelson Ned, esse híbrido texo-ubaense, só resta um “quem é você mesmo?”.
  8. cuidado com piadas: toda brincadeira tem tom, e textos rápidos, como os de instant messengers, não transmitem com eficiência o tom que se deseja às palavras. Sarcasmo e ironia são para mestres, ou se nasce com a capacidade ou se adquire por longo treino, evite nos MIs. A piadinha boba, dessas que surgem do nada, podem gerar brigas ferrenhas, indisposições e crises matrimoniais. Por via das dúvidas, seja o mais objetivo possível e, no caso de uma brincadeira, peça ajuda aos emoticons para expressar que você não está falando sério ou que sua mensagem contém em si mais do que o dito em palavras.

E, para finalizar, winks e aquela função para chamar a atenção do MSN Messenger não existem, enfie na sua cabeça, treine-se, wink e chamar a atenção são ilusões da Matrix. Fale para si mesmo sempre que acordar, na frente do espelho enquanto faz as primeiras higienes: “não mandarei winks nem chamarei a atenção pelo MSN. Não mandarei winks nem chamarei a atenção pelo MSN.” Dez vezes seguidas, todos os dias, em dois meses você estará livre desse mau hábito.

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