Reabertura do ProTrema, vote no melhor texto
Devido às várias reclamações pela escolha do texto vencendor do ProTrema, vou dar uma de democrata, publicar todos os textos enviados (menos aqueles claramente feitos ou por quem não entendeu ou por quem pensou em bagunçar a competição) para que os próprios leitores façam sua escolha.
O vencedor anunciado no resultado, Marcelo Bloc, terá o texto retirado da votação, já que vou dar para ele o prêmio de qualquer maneira como forma de compensar essa bangunça toda. Como todas as regras já foram descumpridas por mim, inclusive ao abrir a escolha para votação, como o faço agora, o limite de caracteres, anteriormente estabelecido em 2 mil, não será um fator desclassificatório para entrar no pleito, agora é totalmente com vocês. Aos textos, reproduzidos da mesma forma que foram enviados. No final do post, uma enquete para que todos possam votar.
Futebol…, por Paulo César dos Reis
O povo brasileiro que ama o futebol, as vezes esquece que além do futebol, existe um outro lado que é muito importante o estudo, as pessoas de baixa renda na maioria das vezes não gostam de estudar.
Além disto existe uma parte que ama o estudo assim como o futebol, os lingüisticos, querem banir nosso trema, estou aqui fazendo este apelo para que o trema nao seja banido mas sim empregado nas palavras, após uma partida de futebol sempre rola aquele churrasco com picanha, lingüiça, saladinha etc….
E nós precisamos fazer uma dieta de letras e parar de comer os tremas, tremas e futebol combina aliás o time quando recebe uma pressão da torcida treme, e aqui nós não trememos porque usamos a trema, com isso ficamos mas tremeiros usando a trema , e teimosos porque quem usa a trema não treme.
Aliás quando usamos a trema ficamos mais felizes porque a nossa linguagem nao será vencida, estamos viciados em colocar palavras inexistentes no nosso vocabulario, e esquecemos que na copa de 1950 perdemos para o URUGÜAI, será que vamos perder tbm a nossa trema, jamais.
Assim como no futebol hoje estamos fazendo mais um golaço de letra, que essa letra continue, para nos dar alegrias, fiz uma copmaração linda entre o trema e o futebol….
Quando vemos o Ronaldinho e o Robinho equilibrando a bola na cabeça , logo imaginamos as tremas…. entao deixa o trema em paz
que estes craque sejam reverenciados pois estao com o trema na cabeç.
Use você também o trem e seja um craque
abraços…
Tremendo Trema, por Roberta Lourenço Ramos
Estava eu, um cidadão cinqüentenário, a dirigir pela Via Anhangüera. Desminligüia-me de tanto suor, como se estivesse em uma liqüidação lotada de mulheres enlouquecidas a se estapearem por um desconto de cinqüenta por cento em um liqüidificador inútil. O qüinquagésimo quilômetro já havia passado, e naquele ponto eu estava eqüidistante do trabalho e da casa. Foi quando resolvi ligar o rádio, após ter avistado um eqüino caído na estrada, conseqüência de um atropelamento feito por um caminhão com placa de Curitiba e uma faixa de Barigüi.
Após notícias funestas de seqüestros e seqüestradores, descobertos graças a um alcagüete, e das subseqüentes críticas à polícia e à delinqüência , vieram os anúncios de ungüentos antiqüíssimos, já usados por minha avó para curar as seqüelas de uma doença. Eis que ouço a notícia acerca do Acordo Ortográfico, e da morte do trema. Para mim, tal fato seria inexeqüível, e poucos agüentariam escrever sem os dois simpáticos pinguinhos. Para mim, um pinguim seria muito mais um “pinguinho? falado de maneira incorreta. Pingüim de verdade, que sapateia nas telas de cinema, só se tiver trema!
A ambigüidade de certas palavras também me faz acreditar na grandiloqüência desse sinal gráfico. Será que em um qüinqüênio todos já o teriam abandonado? Duvido muito, pois gastei bem mais de um qüinqüídio para decorar suas regras ao estudar lingüística!
Apazigüemos nossas aflições – pensei eu – fazendo, pela qüinquagésima vez, um churrasco. Nada melhor do que carnes tenras e lingüiças, bem como líqüidos de cevada bem gelados para me tranqüilizar. Convidei alguns amigos e comentei o assunto. Eles redargüiram que era exagero meu, e se eu gostaria de falar até hoje o “Vossa Mercê?. Não considero isso eqüitativo ao problema da extinção do trema: o pronome de tratamento evoluiu, diminuindo; já eliminar, com iniqüidade, um sinal, parece coisa de eqüino. Não sou um lingüista, não quero uma argüição acerca de minhas convicções – opa, vai sumir o “c? dessa palavra também? – portanto, não quero ser argüido inconseqüentemente.
Meus amigos já estavam num agüeiro de dar dó, e eu mesmo agüei minhas plantas de forma insolente, transformando o gramado em quase um aqüífero. Os argüidores prosseguiam sem piedade, como se fosse eu um ser argüível apenas. Grandiloqüente, após algumas bebidinhas de cana que, antigamente, tinha seu suco extraído de um bangüê, ataquei as carnes sangüinolentas e desmilingüidas e chamei um parente consangüíneo para me ajudar a, eloqüentemente, exaltar o exeqüível uso do trema. Em contigüidade, pedi: “Deságüe sua alma! Argüiste-me furiosamente, e eu defendo o uso destes pontinhos preciosos, duas pequenas pérolas do saber!? Mas não pude ter ubiqüidade, e precisava ir para a cama urgentemente, pois não me firmava mais nas pernas. Abandonei-os, então, e agüentei-me até chegar ao quarto, numa exigüidade de consciência. Desabei na cama, apazigüei-me e fui sonhar com pares de pontinhos que estavam, inconseqüentemente, me perseguindo…
Uma história de família TREMendAmente sem nexo, complexo ou qualquer outro sexo!, por Antônio Carlos Santos
Estava eu vindo para casa quando deparei-me com um agüeiro, tive que me agüentar de pé, pois sabia que, se alguém me visse poderia me alcagüetar, pois por aquelas redondezas sabia-se que era repleto de alcagüetes. Pois bem, prossegui meu caminho, caminhando e cantando ambigüidades, lembrei que semana que vem estarei em São Paulo mas não irei no Anhangüera, pois lá encontra-se milhares de coisas antiqüíssimas e não poderia imaginar que, abaixo de tal lugar poderia se encontrar aqüífero em abundância !
Cheguei em casa (molhado né?, tudo por culpa daquele agüeiro), logo na entrada chutei o sagüi, claro, sem querer, e tentei correr e pegar, mais não deu tempo de pegá-lo e ele rolou escada abaixo. O dia não estava indo bem. Foi quando recebi notícias de um dos meus irmãos, que é consangüíneo comigo, sim, pois tenho irmãos que não são consangüíneos comigo (se isso é possível), daí que lembramo-nos de várias seqüências de nossa infância e também das conseqüências de nossos atos que com freqüência nos esquecíamos. Conseqüentemente veio-nos a tona diversos eventos daqueles anos idos deveras freqüentes em meus sonhos. Como foi bom. Ah vocês não sabem né? Sim, tenho 6 irmãos e 2 irmãs, todos com consangüinidade comigo (isto se, consangüineo, for do mesmo sangue, se não for não é) e serão só meus irmãos e irmãs. E digo mais, todos, como eu, inconseqüentes mas todos com grandiloqüência, tenho certeza. Pois nosso pai (qüinquagenário) era um grandiloqüente desde pequeno. Um lingüista primar, ambar e secular ! Espero que nunca míngüe sua inteligência. E só pra finalizar, deixa eu dizer só mais uma coisa sobre meu querido pai, o mesmo era um verdadeiro: sociolingüístico, eu juro!
Essas histórias de delinqüência juvenil infiltrou em nós, que não somos mais delinqüentes, pois deixamos a iniqüidade de lado faz tempo, que devemos mudar, melhorar, devemos fazer o deságüe (como dizia nossa avó), sim, acredito que todos nós, ou a maioria, já fez a limpeza moral e espiritual deixando a delinqüência para trás.
Lembro-me de uma história que foi contada com muita eloqüência por um senhor, já idoso, que era muito eloqüente em tudo que dizia, sem se desmilingüir ou se ensangüentar, ele contava que: deveríamos pôr o eqüino para banhar-se naquele rio, que logo em seguida virava-se para um de nós e pergunta: o que eu estava dizendo mesmo? E recomeçava: Ele dizia: “enxágüe o burro, o cavalo e o touro”, e eu respondia: “já enxagüei senhor, já enxagüei!” (quem iria de encontro as ordens deste grande homem?).
Caramba, esqueci do sagüi lá no canto da parede, parece que bateu com a cabeça, será que vai ficar com seqüelas com a seqüência de pancadas que teve ao cair rolando pela escada abaixo? Bem, melhor isso do que ser seqüestrado pelo bicho papão, né não?!
Mas eu vou tranqüilizar a todos vocês, o sagüi não existe, foi só um sonho, pois quem já se viu bicho papão seqüestrar sagüi????? Só em sonho mesmo. Subseqüente a tudo isto eu digo que estou tranqüilo, pois aquele senhor, o que mandava-nos “enxaguar o burro, o cavalo e o touro?, utilizou ungüento em mim e nos meus irmãos fazia o sinal do eqüilátero e era bem eqüitativo, pra não dizer exeqüível e muito menos inexeqüível!
Foi quando o velho senhor abriu a boca e disse 15 palavras que ficaram gravadas em nossas mentes, e ele soltou-as sem respirar e nem pestanejar: eqüestre, eqüidade, eqüidistante, lingüeta, lingüiça, lingüística, obliqüidade, pingüim, qüingentésimo, qüinquagésimo, qüinqüenal, qüinqüênio, qüiproquó, redargüir, sagüeiro e bateu as botas e morreu (foi fuminante!!!!)
Deixando todos nós assim.. sem entender nada o que ele queria dizer com tantas palavras com TREMA!
Desmilingüido – O bichano multilíngüe, por Jean Daniel Losano Pinto
Era uma vez um bichano delinqüente chamado carinhosamente de “Desmilingüido?. Desmilingüido era um gatinho normal até que, inconseqüentemente, pulou atrás de uma lingüiça em um antiqüíssimo liqüidificador ligado.
Esta façanha gerou seqüelas subseqüentes: O gatinho se machucou e teve que agüentar, no hospital, não muito tranqüilamente, mais de cinqüenta pontos costurados em suas costas e a partir daí, começou a imitar os sons de outros bichos como os do sagüi e os do pingüim.
Sua grandiloqüência inexeqüível começou a se popularizar entre as pessoas e atraiu inclusive seqüestradores que queriam lucrar com a lingüística do bichano. O seqüestro do Desmilingüido durou menos que um qüinquagésimo de dia pois um alcagüete da vizinhança chamou a polícia que libertou o bichano.
Havia uma ambigüidade na voz do Desmilingüido: ao mesmo tempo em que a obliqüidade de sua voz doce soava eqüidistante por entre os telhados, às vezes mal reconhecíamos seu miado.
Mas foi durante um qüinqüídio no verão que Desmilingüido usou de sua ubiqüidade vocal e enquanto conquistava uma gatinha parente sangüínea sua, enganou uma tropa eqüestre, seduzindo quase cinqüenta cavalos que, excitados, partiram para cima do bichano.
Foi o fim de Desmilingüido. Os cavalos ludibriados pelo som de eqüinas no cio liqüidaram com o bichano, socando-lhe em sua pequena rodelinha anal suas lingüiças gigantes de cavalos e assim, colocando fim na vida de um adorável bichano.
Até hoje, a contigüidade dos fatos com a vida de outros bichanos é praticamente nula. Nunca houve na história felina algum gatinho, delinqüente, tranqüilo e multilíngüe que tivesse em seu destino tanta lingüiça. Lingüiças estas que levaram-no a fama na vizinhança, que o fez conquistar gatinhas de todos os tipos e também, lingüiças estas que o untaram e besuntaram de esperma eqüino e puseram fim à sua vida.
Hoje, Desmilingüido canta pelos céus junto com Elvis Presley, e faz parte das historinhas de ninar que eu conto para meus filhos na hora de dormir. Descanse em paz velho amigo.
FIM.
O Homem no Centro da Qüestão, por Joabner
No meu entender, desde a Antigüidade, o Homem é responsável pelo esgotamento do meio em que vive. A ação antrópica, em geral, pode contribuir com o desaparecimento do trema.
Fala-se que, recursos naturais, como à água, podem extingüir-se. Porém, antes de faltar água, notei a ausência do trema nesse líqüido essencial à sobrevivência de todos. E o trema foi-se embora também do pingüim – por certo o aquecimento global acabou por derretê-lo. Outro fator importante foi a descoberta do fogo. Depois disso o homem inventou o churrasco. Sabe pra que? Para assar lingüiça até esturricar o trema.
Com o advento da Revolução Industrial, adqüirimos hábitos que não nos permitem saber como está o tempo. Vivemos numa correria sem fim girando a mil igual a um liquidificador. Corremos atrás do emprego, do ônibus e da liqüidação imperdível do final de ano.
As interferências humanas transformaram as pessoas em seres violentos e sanguinários. Atualmente a sociedade está fragilizada e sem eqüidade social. Ficamos sempre em alerta, com medo e com muita adrenalina na corrente sangüínea. Perdemos a capacidade de distingüir a possibilidade correta. Antes se passavam as tardes em uma lângüida preguiça de papo para o ar. Hoje, passar horas vendo o pôr-do-sol eqüivale a passar horas no trânsito.
Também, fala-se sobre as mudanças na ortografia lingüística. Recentemente, o governador José Arruda do Distrito Federal (DF) deu o pontapé inicial. O nobre figura achou por bem demitir o gerúndio. Ufa, ainda bem. Eu não agüentava mais esse recurso mal empregado - literalmente. Não me espanta que as pérolas venham dos políticos - que por sinal são freqüentes. Quem não se lembra da declaração da Marta Suplicy “Relaxa e Goza?? Há ambigüidade nisso? Não. Mal ela sabia que no alto da sua inteligência, a sua tranqüilidade seria abalada com o acidente da TAM. Pobre Marta, acompanhada de seu séqüito pagou o maior mico – lê-se sagüi – indo retratar-se ao público com uma argüição infundada resumida em um pedido de desculpas.
Já que mencionei animais, lembro-me de uma expressão popular que diz: “Caiu do cavalo?. Pois bem, o trema, também caiu do cavalo. Aliás, não só do cavalo, mas de todo o quadrúpede doravante classificado como eqüino.
Enfim, não quero ver a seqüência e conseqüências destas interferências. Apenas entendo que, não sei por que, resolveram seqüestrar o trema e, por mais eloqüentes que sejam os meus argumentos, parecem não querer devolvê-lo.
O trema: mais um pedaço da língua que se vai, por Antonio Carlos Lima
Antiqüíssimo. Assim é o trema. É verdade que já foi mais freqüente, antigamente havia até mesmo em palavras como païsinho (para que a leitura fosse pa-i-si-nho e não pai-si-nho). Esta aplicação foi abolida em 1971, em uma pequena reforma lingüística. Vê-se que não é de hoje que a língua – e o trema – passam por ajustes. Lingüistas sempre se dividiram entre os que apóiam o trema e os que acham que ele deveria sumir de vez da língua falada e escrita. O trema dá impressão de eloqüência, é verdade. Mas complica também, admito.
Lembro-me da época em que, nas aulas de língua portuguesa, a professora incluía, na argüição, palavras com trema: “iniqüidade, eqüestre, eqüilátero, deságüem, conseqüente, Anhangüera?. Era uma confusão. Sempre tinha uma ou outra palavra escrita onde eu havia esquecido de colocar o tal trema. E aí quem “tremia? era eu. De raiva. Decidi aprender, esforcei-me e, conseqüentemente, aprendi. Depois disso, a professora podia até mesmo mandar formar frases com palavras com trema: “O pingüim foi seqüestrado, mas o cachorro que comia lingüiça alcagüetou?. Frase péssima, eu sei. Mas era o que dava pra fazer com meu pequeno vocabulário infantil de histórias em quadrinhos.
Agora, com a nova mudança lingüística que se aproxima, o trema vai sair de vez. “Inconseqüentes!?, dizem alguns. “É inexeqüível!?, dizem outros. Não sei aonde vai levar essa decisão. Dizem os grandiloqüentes que esse “enxágüe? é necessário, pois há muito “sabão? na língua. Pode ser. Porém, temo que a língua torne-se por demais exígua e até mesmo míngüe. Não simplesmente pela perda das suas características, mas também pela inserção indiscriminada e cada vez mais freqüente de elementos de outras línguas. Sai o trema, entra o estrangeirismo. Será que ela - a língua portuguesa - vai agüentar? Ou estamos andando a passos largos para o empobrecimento da mesma?
É certo que a freqüência de muitos acentos e sinais confunde. Mas a raiz do problema não é a quantidade de acentos ou sinais freqüentes em uma língua. A raiz do problema é a delinqüência oficializada com esta mesma língua. Delinqüência, sim! Ou como poderei classificar o ensino da língua portuguesa hoje? As crianças não são levadas a pensar o que escrevem, nem a escrever o que pensam. Tornaram-se meras máquinas de repetição, oprimidos pela inconseqüente generalização e banalização das informações transmitidas. Não conhecem a razão da existência dos sinais nem de muitos outros elementos da língua. Pergunte a um jovem o que é uma letra bilabial e ele responderá: “bila… o quê??. E viva as conversas “limpas? de acentuação e coordenação, reinantes nos programinhas de mensagens instantâneas. oU VAI dize Ki vUxXxE nUNCaH VIU algUeM Tc AXXim??!?!
Na escola, os alunos nem são argüidos mais! “Que saudade da professorinha?, diria Ataulfo Alves… A conseqüência? Sei que vou exagerar (ou não?), mas estamos criando o terreno para futuras gerações de jovens quase eqüinos, lingüisticamente falando. Bem… Talvez não seja de todo mal ou estranho… Afinal, não é necessário ser muito mais que isso pra se chegar à Presidência da República, não é?
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As votações encerram no dia 30 de Novembro, à 00h00m.


































