“Amadorismo e irresponsabilidade andam de mãos dadas?”
Minha resposta seria em forma de comentário no blog do Leo Baiano, mas com medo de ser descortês por enviar um texto longo, decidi fazer isso por aqui, a conversa não se perde e posso ampliar a participação para quem desejar. Mas, antes, é necessário um contexto.
Na semana passada participei das preliminares promovidas pelo Wagner Fontoura para o BlogCamp SP no tópico “A responsabilidade dos blogs que ensinam e formam blogueiros”. O resultado foi publicado pelo Tiago Celestino, onde os debates, quando se esperava acabados, recomeçaram devido a um comentário de resposta do Sérgio Lima, seguido por contra-resposta minha e mais uma dele. Esse debate deixou o blog do Tiago Celestino para ter vida própria pelo Leo Baiano no post que também dá título a este e no blog do próprio Sérgio.
Em linhas rápidas: eu acredito que a profissionalização dos blogs vai melhorar o nível médio a longo prazo da blogosfera. Minha resposta, ou melhor, meu argumento, é para quem não acredita. Leia a seguir:
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Eu acredito em blogs amadores sérios, como acredito em blogs “profissionais” (*) irresponsáveis. Como já disse, penso eu, no comentário no blog do Tiago Celestino, estamos muito no começo para ter qualquer outra análise que não seja baseada apenas no senso comum, e ele diz: o profissional tem mais compromisso com o que faz que o amador.
Vamos mudar de ambiente e usar como analogia um carpinteiro. Você pode ser um carpinteiro amador ou profissional, a qualidade do trabalho de cada um pode ser equivalente ou pender para mais ou menos numa categoria ou outra, isto é, o trabalho final do amador pode ser melhor que a de um profissional e vice-versa, mas enquanto para o primeiro a carpintaria não passará de um hobby (que pode ser muito bem-feito e de forma responsável), para o segundo é uma questão de compromisso, com prazos, disciplina, respeito pelo cliente, pagamento de impostos, burocracia, ou seja, tudo o que engloba uma atividade de trabalho devidamente legalizada. Para o amador não há clientela, apenas paixão por aquilo que se faz, o que não é ruim, mas quando a paixão cessa, é nada mais que um incoveniente momentâneo. O profissional não tem esse tipo de privilégio, é muito mais que só um “ah, tô preguiça”, ou “ah, hoje estou sem tempo”, “ah, hoje o clima está ruim”. Uma gripe não pode atrapalhar o prazo.
Existem amadores fenomenais? Existem, o mundo está cheio deles. Existem profissionais irresponsáveis e anti-éticos? Idem. Mas enquanto o primeiro vive em si, sem necessidade da aprovação externa de alguém (se faço um móvel em casa, ele pode sair uma porcaria ou uma obra de arte, e isso é um problema exclusivo meu), o profissional precisa ser aceito por um grupo de pessoas, os clientes, ou ele deixa de existir.
Da mesma forma um blog, embora público, coisa que o meu móvel como carpiteiro amador não é. Há uma diferença significativa entre o blog de alguém com um leve conhecimento de, digamos, culinária (sabe fazer lasanha, pizza, bife, o trivial, como eu) e o blog de um culinarista. O primeiro, amador, pode ser útil, responsável, sério, mas um erro para ele não é nada, é apenas um detalhe, consertado com um pedido de desculpas e a revisão do post. Para o culinarista (ou qualquer cozinheiro amador que queira se transformar em culinarista) um erro pode significar o fim da carreira, pode ser aquele mínimo empurrão para o abismo. E quem está na beira do abismo deve ter mais cuidado, necessariamente, de quem está enfurnado no continente.
Portanto, acredito que exista uma tendência, repito, tendência de que blogueiros profissionais, que correm mais riscos e têm mais a perder, tenham mais comprometimento com o próprio trabalho.
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(*) no meio desse debate, que como dá para ver pelo tamanho da resposta está legal, me ocorreu que na verdade o problema, a fonte do impasse está na definição dos termos. O que as pessoas consideram “amador” e “profissional”? Existe confusão entre “profissional” e “problogger”, são o mesmo conceito ou são distintos? Vou citar o exemplo que me faz questionar esse detalhe. Leio cotidianamente o que para mim é um dos melhores blogs hoje em português, o Blog do Alon Feuerwerker - não é o único que me despertou a dúvida, posso citar pelo menos mais três de cabeça, mas fiquemos apenas com Alon. Em seu blog, não existe AdSense ou qualquer publicidade, na verdade tem até um selinho do AdFreeBlog, daí vem minha pergunta: ele não ter lucro, significa amadorismo? Mas Alon é um jornalista experiente, décadas no batente, com fontes, contatos, informações exclusivas, conteúdo original, ou seja, em matéria de jornalismo, ele é extremamente profissional. Ser profissional significa necessariamente ganhar dinheiro? Ou existe, no final das contas, um motivo real para o termo “problogger”, uma categoria que estaria além do amadorismo e do profissionalismo por não ser, necessariamente, nem uma coisa nem outra?















