A importância da Hilux na cultura do Ceará
Por estas bandas, a Hilux, carro da Toyota, é um símbolo, não só de status financeiro mas de identidade cultural. É a rapadura da automobilística, o Padim Ciço da tração 4×4.
Para ter uma idéia, segundo o jornal O Povo, são vendidas 20 por mês pela Newland, concessionária da Toyota no estado. O comprador tem um perfil claro - qualquer observador mais atento pode tirar a mesma conclusão nas ruas de Fortaleza: o cafuçu de camisa aberta, o forrozeiro de plantão, o comerciante relativamente bem sucedido que gosta de pegar nos bagos em público, o protótipo do cabra macho pegador cearense. Há por aqui uma distância enorme entre o dono de uma Mercedez ou de um BMW e o de uma Hilux, os primeiros são ricos de berço, os outros novos-ricos.
O carro está tão no imaginário que já incluenciou a gíria local. Uma Hilux é uma “bichona”. Quando chega uma no interior, o matuto diz: “lá vem a bichona”. Uma “bichona” não é uma F-1000 ou uma D-20 (ainda existe D-20?), é necessariamente uma Hilux. Enraizou tanto, que agora tem até o homossexual “bichona”, é aquele gay robusto, corpulento, alto, durão, confiável mas que basta apertar o botão certo para acionar a tração nas quatro rodas.
Acontece que o Governo do Estado teve uma idéia brilhante. Sempre antenado com nossas expressões culturais, decidiu que todas as viaturas da polícia militar serão Hilux (como a da foto ao lado, que é do Timor Leste). A que custo por unidade? R$ 150 mil. Nossos bandidos são mais legais, bacanas, chiques que os outros, andam em carros de R$ 150 mil. Até eu vou querer cometer um crime.
Mas como passear de Hilux não é privilégio para qualquer mané pé-rapado, como todos esses policiais militares que andam por aí, mas coisa de gente elegante e fina, o Governo do Estado teve outra idéia, como sempre, de acordo com nossas necessidades mais prementes, resolveu fazer um concurso para estilistas de moda em busca do fardamento perfeito. Prêmio? R$ 15 mil para quem desenhar a farda mais fashion.
Há quem critique, mas é essa oposição irresponsável que não conhece as manifestações genuinamente populares. Pois vejamos, assim como o novo-rico que se endivida para comprar uma Hilux e duas ou três peças da Hugo Boss, nossos policiais e seus salários de R$ 1,3 mil, endividados e morrendo em bicos, sairão às ruas com um carro de R$ 150 mil e uma farda de R$ 15 mil. Mais de acordo com a realidade, impossível.













