Me pelo de medo da polícia
Não planejava escrever este post, uma espécie de continuação sem humor do “Me pelo de medo de torcedores“, mas as circunstâncias do final-de-semana me deram o mote. Vai ser um post sem divagações, não existe necessidade de argumentos para desenhar o motivo do medo, só fatos.
Na madrugada de sexta para sábado, Daniel Bezerra Gomes, um comandante da Polícia Militar em Iguatu, cidade próxima de Fortaleza, matou dois irmãos com tiros à queima-roupa na região do abdômen. Marcelo Teixeira, de 26 anos, que estava na churrascaria “Vilson Grill”, foi o primeiro a ser morto por urinar atrás do carro do policial (isso, o cara tomou umas, resolveu tirar a água do joelho e escolheu mal o mictório, esse foi o “grande crime” dele). Leonardo, o irmão, depois de ouvir os disparos, foi ao local da discussão, onde também foi baleado. O primeiro morreu ali mesmo, o segundo no Hospital Regional de Iguatu.
Em uma pesquisa rápida no Diário do Nordeste, para ficar restrito a notícias de um veículo do Ceará, não é difícil encontrar casos envolvendo policiais, discussões banais e violência:
- Cabo da PM mata colega de trabalho
- Motorista discute com PM e leva um tiro no peito
- PM preso após tentar matar uma ex-vizinha
- Delegado morto a tiros por um tenente da PM
Uma pesquisa mais completa vai mostrar casos de corrupção, extorsão e participação em grupos de extermínio.
Um único caso seria suficiente para manchar a instituição da polícia, seja civil, militar ou federal. Para o senso comum são (ou deveriam ser) vistas como aparatos de segurança, equipes elaboradas para proteger, não ameaçar, os meros mortais. Mas o mesmo senso comum sabe que não é exatamente isso que acontece. Os quartéis estão repletos de agentes despreparados, que muitas vezes se confundem com a criminalidade que deveriam combater. São marcas que dificilmente serão apagadas sem trabalho árduo das próprias instituições. O motivo do meu medo, e acredito de muita gente por aí, é mais que justificado.


































