Baba Baby: as miguxas são o mainstream media dos blogs hehehehehe

Você, meu camarada problogger, que ganha centos reais por mês com reprodução de feed e pitacos onde não é chamado, é nada. Sequer precursor.

MiguxasQuem primeiro começou esse conversê de blog foram elas, as meninas nos seus diários pessoais, com seus namoros em crise, suas ânsias de adolescência, os posts melosos ou picantes (mas que desejavam crescer ao erótico), os *CaRACTeRes* roubados dos hackers e aproveitados na frescura…

No frigir, o mundo das miguxas.

O primeiro debate - o comentário, o trackback ou pingback primordial - nasceu de um namorado puto com as declarações da moça, que para livrar a cara ou reconquistar assinou um Fernando Pessoa ou um Drummond mal lidos e postou.

Nasceu também das amigas e das intrasigências do “todo homem é igual”, “é um canalha”, “amiiiiigaaaaaa, estou do teu lado, eu te amooooo” ou de um simples e interesseiro “adorei teu blog, passa no meu”. Retribuída a visita, começaria tudo de novo.

Era uma comunidade de mulheres, de sentimentos, de reações baseadas no amor, no desamor, na traição, na inveja, no ciúme, no ódio, na poesia ocasional e superficial, em gifs animados, estrelas cintilantes e ponteiros de mouse alterados em corações partidos ou flechados.

A apropriação da linguagem e dos códigos até hoje é um privilégio das miguxas, rápidas, eficientes e na moda. Para cada blog profissional com 10 mil visitas por mês, existem milhares delas com cem. E nenhum dos dois é mais, ou menos, confiável ou de interesse que o outro.

Afinal, quantas pessoas vão se interessar mais pelo Google, o Uol ou o Buscapé como programas de rentabilidade que pela vida do vizinho? Quantos vão achar que uma opinião sobre a economia mundial, elaborada em índices, estatísticas e anos de prática, é mais válida que a de quem diz “é uma merda, quero viver em Marte”?

As miguxas são o real, o palpável. São vizinhas, colegas de trabalho, caixas de super-mercado, gente que dá para chamar pelo nome e perguntar como vai a vida. Elas têm fotologs, dá pra ver quem são. Têm filhos com nomes familiares, tipo Antônio, Roberto, Carlos ou Valdkhettellyn Rattes. Elas gostam de Big Brother, de novelas, fofocas sobre os famosos, de revoltar-se com a violência na TV.

Não são como esses probloggers, gente que só pensa em dinheiro, em escrever para ganhar uns dólares e que se prostituem no processo. E que, no fundo no fundo, só seguem as tendências criadas pelas miguxas, paraquedistas que clicam em toda e qualquer novidade.

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