A natureza do fanatismo

Um post simples do Novo Mundo sobre a prisão dos criadores da Igreja Renascer, Estevam Hernandes Filho e Sonia Haddad Moraes Hernandes, e que transformou-se em fórum de discussão entre seculares e fiéis recalcitrandes, foi o responsável por uma epifania (provavelmente nem um pouco original) a respeito da natureza do fanatismo, de qualquer tipo dele.

Sejam fudamentalistas do futebol, das religiões, de esquerda ou de direita, sem excessão, todos se apegam mais às estruturas que às mensagens ou princípios.

O fanático relogioso, antes de dar importância às idéias universais - já que estão presentes em todas as religiões - sobre misericórdia, caridade, solidariedade e altruísmo, valoriza mais os sacerdotes, a ritualística, as imagens e os templos. A mensagem é só um detalhe, um discurso vazio presente nos mantras, nas orações e no fingimento geral - fingimento porque de fato perderam há muito tempo o sentido, são palavras soltas ao vento, sem real significado, ou, do contrário, o mundo seria maravilhoso e não palco das ações que vemos diariamente nos jornais entre “homens de fé” e frases do tipo:

RAFAEL VC NÃO PASSA DE UM TORUXA QUE PELO JEITO VAI QUEIMAR NO FOGO DO INFERNO.?GRAÇAS A DEUS QUE O ZÉ ROBERTO É UM SERVO DE DEUS “.NÃO SUPORTO GENTE QUE PENSA QUE PODE FALAR DOS EVANGÉLICOS E SE GABAR.VC NÃO PASSA DE UMA PESSOA QUE PELO JEITO VIVE SENDO ATORMENTADO PELO TINHOSO. “ZÉ ROBERTO CONTINUE PREGANDO E GANHANDO MUITO DINHEIRO EM SUA PROFISSÃO , QUE DEUS TE DE HONRA EM TUDO “.E VC RAFAEL SLONIK VAI CATAR COQUINHOS SEU TROUXA!!!

Ou:

Rafael - Vc. é um trouxa que não sabe o que fala , picareta é vc que se não aceitar Jesus vai queimar no inferno. Se converte e para de ser um trouxa mainpulado pelo capeta.

É assim também com o torcedor enlouquecido: mais do que gostar de futebol, ama (ou odeia) os jogadores, técnicos, camisas, a idéia de participar de um clube fechado que só semelhantes têm o privilégio de usufruir.

Da mesma forma que para o religioso não importa, de fato, a mensagem que resume-se em “ame ao próximo como a si mesmo”, o fanático por futebol não liga para a qualidade do jogo, para a sua lisura, sua beleza estratégica ou o conceito de fair-play, valores que tentam elevar o esporte a um patamar alto de nobreza, um mecanismo de confraternização.

A adoração maior ao meio e o total desprezo à mensagem, tão comum em todos os tipos de fundamentalismo, transforma qualquer idéia, por melhor que seja, em estopim para o confronto e para a opressão. Enquanto houver esse tipo de gente no mundo, nós nunca estaremos livres da sombra do fascismo.

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