Elementar, meu caro, é tudo culpa da internet
Por Leonardo Fontes no dia 5 Jan, 2007 em Jornalismo
Antigamente, nos cursos de jornalismo, a segunda frase marcante que um novato ouvia - a primeira era “seu piso salarial é uma merreca”, no topo da lista até hoje - era que se um cachorro morde um homem não é notícia, mas se um homem morde um cachorro, sim.
O mundo mudou, o cenário ficou progressivamente mais rebuscado ao ponto de um ataque a mordidas de um homem em um cachorro se tornar banal e não merecedor de pauta. A não ser que o cachorro tivesse um caso com uma atriz famosa e, em um ataque de ciúmes, o homem arrancasse todas as suas patas com os dentes, em uma reação de extrema violência com direito a fotografias estampadas nas páginas policiais. Três dias de correria nas redações, consternação dos leitores e das instituições de proteção aos animais, até a constatação de que o homem também tinha um caso com o cachorro, de quem de fato sentia ciúmes. Mais quatro dias em todas as capas, cobertura televisiva ostensiva e, finalmente, o esquecimento total em uma semana.
Agora (ou melhor, já há alguns anos), notícia boa mesmo é qualquer uma que dê para juntar no título palavras como “morte”, “suicídio”, “probição”, “violência”, toda a sorte de termos negativos combinados com “internet”. Só para ficar em alguns exemplos dessa semana (até as 15 horas de hoje):
- Bate-papo na Internet termina em violência contra mulher - quantos bate-papos em bares, dentro de casa, no trabalho, no meio da rua terminam com uma mulher surrada? Por que esse caso merece atenção? Ora, foi tudo culpa da internet, não do estúpido do marido.
- Adolescentes usam Internet para agendar brigas - você já leu alguma notícia sobre como adolescentes marcam brigas por celular, SMS ou o velho encontro “ao vivo”? Claro que não, porque eles são violentos por causa da internet, se ela não existisse, estariam todos fazendo caridade na vizinhança.
- Gangue incentiva o crime via internet - é o mesmo caso acima. Na verdade, para começo de conversa, a gangue só existe por causa dela, sem ela os integrantes nunca teriam se conhecido.
- Chinês se mata após desilusão com namoro da internet - em um país como a China, com seu 1 bilhão de habitantes (se é que ainda é esse o número), suicídio por desilusão amorosa deve ser corriqueiro, como de resto na maioria dos países, mas como esse tinha como encaixar “se mata” e “internet” no título, ganha notoriedade. Mas aqui a culpa pode até ser mesmo dela, ou o chinês aí nunca teria conseguido uma mulher.






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Além de corno é burro.
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Essa foi séria. As brigas eram dentro do iguatemi. Mas agora que nas 4as parece o exercito dentro do shopping, se mudaram para o estacionamento.
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Prestou atenção em qual era o site? ORKUT, claro! O irmão mais novo e não menos despudorado e safado da Internet.
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Sempre achei que fosse bacana se matar na China. Um já morreu de tanto jogar videogame, agora esse que gosta de mulher de 20 mas não de 30.
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