Saddam agora alimenta a audiência do YouTube

2007 Janeiro 1
by Leonardo Fontes

Donald Rumsfeld deve estar gargalhando da ironia; George Bush, pai e filho, com orgasmos múltiplos no Texas.

Muito além do papo bobo sobre pena-ódio-alegria-misericórdia que gira em torno da morte de um ditador sanguinário (existe outro tipo?) como Saddam Hussein, presente em boa parte dos blogs por aí, há muito mais o que pensar.

O famigerado vídeo de sua morte (mesmo que sem “cenas tão chocantes…“), nesses poucos mais de 20 anos, entre sua ascenção patrocinada pela política semi-nazista da era Reagan e a morte na forca exposta no YouTube, deixa claro que Hussein não passou de um Coyote, um Pernalonga, um Tom & Jerry nessa enorme ficção, dirigida por um sádico, em que o mundo se transformou.

Ao lado de vídeos de meninas falando sobre a própria vida, comerciais publicitários engraçadinhos, clips musicais, trechos de desenhos animados e um porrilhão de “user made content” há um homem, ou melhor, um símbolo de meia-idade sendo enforcado para que milhares de espectadores batam palmas e alimentem a mesma lógica de poder que lhe outorgou a capacidade para dizimar cidades inteiras, destruir a humanidade em um país. É só mais um vídeo amador, fora de contexto, sem história.

Não foi só a morte de um homem terrível, mas também de um capataz, de um mercenário. E todo capataz, todo mercenário, tem um empregador.

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