E nós, o que somos?

2006 Maio 8

Algumas notícias de hoje:

Nós somos muito importantes. Uma raça em crescimento, com a evolução nas mãos pela genética, controle social pela política, pela mídia e pela fé (nossas cruzadas se repetem em inúmeros cenários da história). Temos o destino traçado pela nossa superioridade em inteligência e adaptabilidade. Somos deuses, somos a imagem Dele, o Homem e o Esp�rito.

E esquecemos disso:

Terra, Vênus, Marte, Mercúrio e Plutão:

Terra, Vênus, Marte, Mercúrio e Plutão

Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno comparado aos anteriores:

Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno

O Sol comparado a todos!

O Sol comparado a todos!

Em uma das pedrinhas azuis da imagem acima, tem gente se candidatando para governar os outros, tem gente mantando os outros e tem uma doença que esses mesmos “outros” consideram uma ameaça terrível (e que, provavelmente, não passa de uma grande manipulação da indústria farmacêutica… alguém aí já ouviu falar em câncer do colo de útero, tuberculose e fome?)

Talvez esteja fora de sintonia, mas lembrei de um poema do escritor alemão Hermann Hesse, chamado “Os Imortais”, que é assim:

Dos vales terrenos
chega até nós o anseio da vida:
impulso desordenado, ébria exuberância,
sangrento aroma de repastos fúnebres.

São espasmos de gozo, ambições sem termo,
mãos de assassinos, de usurários, de santos,
o enxame humano, fustigado pela angústia e o prazer.
Lança vapores asfixiantes e pútridos, crus e cálidos,
respira beatitude e ânsia ensopitada,
devora a si mesmo para depois se vomitar.

Manobra a guerra e faz surgir as artes puras
adorna de ilusões a casa do pecado,
arrasta-se, consome-se, prostitui-se todo
nas alegrias de seu mundo infantil;
ergue-se em ondas ao encalço de qualquer novidade
para de novo retombar na lama.

Já nós vivemos
no gelo etéreo transluminado de estrelas;
não conhecemos os dias nem as horas,
não temos sexos nem idades.
Vossos pecados e angústias,
vosso crimes e lascivos gozos,
são para nós um espetáculo como o girar dos sóis.
Cada dia é para nós o mais longo.
Debruçados tranqüilos sobre as nossas vidas,
contemplamos serenos as estrelas que giram,
respiramos o inverno do mundo sideral;
somos amigos do dragão celeste:
fria e imutável à nossa eterna essência,
frígido e astral o nosso eterno riso.

O que nós somos? Talvez pó, certamente muito perto de nada. Ou, só carne.

Obrigado ao Glacial por mandar as imagens publicadas por Pedro Custódio.

Compartilhe:
  • BlinkList
  • del.icio.us
  • digg
  • Ma.gnolia
  • YahooMyWeb
  • Facebook
  • Google
  • LinkedIn
  • Pownce
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • Slashdot
  • TwitThis

Leia também